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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Algumas notas sobre as indicações ao Oscar 2011

             A atriz Mo'Nique e o presidente da Academia, anunciando os principais indicados na última terça (24)

Gostei, de uma forma geral, da lista dos indicados ao ao Oscar. Se não tivemos surpresas como no ano passado (quando, pela primeira vez em décadas, foram anunciados 10 filmes concorrentes na categoria principal, o que permitiu a entrada de títulos curioso como Distrito 9 e Um Sonho Possível), este ano a lista de filmes citados parece bem razoável. Mesmo assim, com dez vagas, ainda não tivemos nenhum filme não falando em lingua inglesa citado como "os dez melhores do ano" pela Academia. Isto é preocupante. Mais para eles, claro.

Esnobadas: muita gente reclamando da "exclusão' da Mila Kunis e do Ryan Gosling, por exemplo,  na lista de melhor atiz coadjuvante e ator. Saindo da discussão se Mila, indicada aos importantes prêmios dos Sindicato dos Atores (cuja cerimônia contecerá no próximo domingo)  e Globo de Ouro (perdeu pra Melissa Leo, de O Vencedor) merecia ser indicada ou não (meu veredito: não), ser indicado a um Oscar envolve fama, carisma, precedentes criminais e muito lobby, coisas que já são misteriosas para os moradores de Hollywood, quanto mais para o resto dso mundo. Mas, para mim, falar em esnobada é totalmente sem sentido - onde estava escrito que ela seria indicada? Há uma lista enorme de atores e cineastas que não são citados, então se for assim, todo ano milhares de artistas são "esnobados" pela Academia. Eu vejo o Oscar como um prêmio/evento de inclusão, nunca de exclusão. Quem deu sorte de entrar lá, que aproveite. O resto do mundo continua girando.

Mas...

Causou burburinho o fato de que o Christopher Nolan ficou de fora da lista de melhor diretor, mais uma vez (era esperado que ele fosse indicado em 2009, por Batman - O Cavaleiro das Trevas. Não rolou). Com isso, o seu sucesso A Origem, que também foi esnobado na categoria de edição (vejam só: antes das indicações, os futurólogos previam que o filme era o favorito nesta área), torna-se automaticamente fora da corrida pelo prêmio de melhor filme, mesmo estando lá e somando um total de 8 citações. Coisas da Academia. (Obs: bem feito pro Nolan).

Enfim, a categoria de atriz coadjuvante é um mistério (pode dar qualquer uma das cinco, acredite), veremos se os acadêmicos já superaram a antipatia pelo Christian Bale e o David O. Russel (dar chiliques em set e se envolver em escandâlos familiares não é uma novidade para atores e cineastas, mas estamos na era do YouTube, você sabe).

Dos indicados a melhor filme, já vi A Rede Social, Cisne Negro, A Origem, Toy Story 3, Inverno da Alma e Minhas Mães e Meu Pai. Se eu conseguir assistir O Discurso do Rei, Bravura Indômita e O Vencedor antes da cerimônia (dia 27 de fevereiro), publicarei um post especial sobre os filmes. Ao que tudo indica, a disputa é entre o filme do Facebook e o filme do rei gago.

*Não esqueci que 127 Horas foi indicado a melhor filme. Mas não sei se terei estômago pra conferir um filme sobre um esportista que fica cinco dias preso numa rocha, e pra sobreviver tem que amputar, em cenas explícitas, uma parte do seu corpo. Medo.

sábado, 6 de março de 2010

Os Dez Mais do Oscar 2010

Indicados a Melhor Filme do Ano


Guerra ao Terror
(The Hurt Locker, 2008) de Kathryn Bigelow I 9 Indicações I minha cotação atual: ***
Extremamente bem filmado e atuado
, merece a atenção que vem recebendo, embora não tenha, ideologicamente, um ponto de vista bem definido, fica meio em cima do muro, o que não deixa de ser uma decepção em relação a um filme tão destemido. Foi abraçado por ser, err, muito bom e, talvez, o primeiro filme sobre a Guerra do Iraque feito com pulso firme e estilo - e, claro, a história é mesmo original e curiosa. Deve ganhar nas categorias de Direção e Edição. Melhor Filme e Melhor Roteiro Original são duas possibilidades, se Avatar e Bastardos Inglórios, respectivamente, deixarem.




Avatar (Avatar, 2009) de James Cameron I 9 Indicações I minha cotação atual: **
Recebeu menos indicações do que todos esperavam e, comparando as suas nomeações com as de Guerra ao Terror, Avatar perde, já que não teve nenhum membro do elenco ou o roteiro indicado. Deve ganhar como Melhor Filme, Direção de Arte, Efeitos Especiais, Som e Efeitos Sonoros, pela imensa popularidade, mas não vai ser uma noite tão fácil quanto a que consagrou Titanic. E, afinal, não tem evolução tecnológica que faça esquecer o fato de que o filme é uma aventural bem feita, mas banal, basicamente um mar de clichês.



Bastardos Inglórios
(Inglorious Basterds, 2009) de Quentin Tarantino I 8 Indicações I minha cotação atual: ***
O retorno em grande estilo de uma dos maiores cineastas americanos em atividade, depois de mais de uma década de esnobadas inexplicáveis no Oscar. É o grande azarão da noite, suspeito que leva como Melhor Roteiro Original e pode ganhar o ouro se a divisão entre os filmes de Bigelow e Cameron for muito grande -não duvido que Bastardos ganhe como Melhor Filme. Por outro lado, deveria ter sido o mais indicado da noite, já que foi ignorado injustamente nas categorias de Direção de Arte, Figurino e Atrizes Coadjuvantes. Não é o meu Tarantino favorito, mas torço pelo filme.



Preciosa: Uma História de Esperança (Precious: Based On The Novel"Push" By Saphire, 2009) de Lee Daniels I 6 Indicações I minha cotação atual: ***
O maior representante indepente (todo ano tem) desta edição, este drama curioso tem como trunfo o elenco dedicado e passional, que luta contra a mão pesada do diretor Daniels, indicado na categoria de direção possivelmente por motivos políticos - é, inacreditavelmente, apenas o segundo cineasta negro indicado ao Oscar como diretor. Preciosa também é o primeiro filme dirigido por um negro a concorrer ao Oscar de Melhor Filme do Ano.



Amor Sem Escalas
(Up In The Air, 2009) de Jason Reitman I minha cotação atual: ***
O bom drama de Jason Reitman deve levar o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado,o que seria justo e de bom tamanho. Não é um filme excepcional, mas é feito com cuidado e tem um tema central muito oportuno (o desemprego) em tempos de crise econômica - sim, ainda ela.



Up - Altas Aventuras (Up, 2009) de Pete Docter I 5 Indicações I minha cotação atual: *****
Meu favorito entre os dez, esta linda animação da Pixar é a primeira produção da casa a concorrer a categoria máxima do Oscar, simplesmente uma injustiça, já que a Pixar vem merecendo este reconhecimento máximo desde o seu primeiro longa, em 1995. Deve ganhar como Melhor Animação e Trilha Sonora, competindo fortemente nestas duas categorias com o também muito bom O Fantástico Sr. Raposo.



Distrito 9
(District 9, 2009) de Neil Blomkamp I 4 Indicações I minha cotação atual: ***
Divertido e muito bem dirigido docdramasci-fidefavela, assinado por um novato a partir de um curta metragem experimental, é o mais curioso indicado ao Oscar de Melhor Filme deste ano e, suspeito, também de toda a história da Academia. Com um sabor nerd e B, sofre do mesmo problema do colega de gênero Avatar - é infestado de clichês, às vezes parece até uma colagem - mas é melhor construído e bem mais satisfatório do que o filme de Cameron - que, ironicamente,com certeza foi uma inspiração aqui.



Educação
(An Education, 2009) de Lone Scherfig I 3 Indicações I minha cotação atual: ****
De baixa voltagem, mas cheio de charme, este drama inglês roteirizado pelo rei do pop Nick Hornby (indicado ao Oscar pela pelo seu primeiro script) deve sair de mãos vazias da cerimônia - mas, se o Oscar fosse "justo" (muitos risos), Carey Mulligan iria para casa vitoriosa. Quem sabe?



Um Homem Sério (A Serious Man, 2009) de Ethan Coen & Joel Coen I 2 Indicações I minha cotação atual: ***

Curiosa a presença desse filme na lista, afinal no ano passado o excelente Queime Depois De Ler foi completamente excluído da cerimônia. Bom filme, cheio de momentos hilários, definitivamente não é o melhor dos Coen, nem de longe, lembrando muito o inesquecível Barton Fink - Delírios de Hollywood, uma comparação que não o ajuda muito. Não vai ganhar nada.



Um Sonho Possível (The Blind Side, 2009) de John Lee Hancock I 2 Indicações I minha cotação atual: **
Bonitinho e ordinário, o mais surpreendente sucesso comercial do cinema americano no ano passado foi agraciado com uma curiosa indicação na categoria principal, deixando para trás os últimos esforços de gente graúda como Clint Eastwood e também os outrora com grandes chances Star Trek e Nine. A outra indicação do filme vem na forma de Sandra Bullock, teoricamente a favorita da noite na categoria Melhor Atriz, mas que vai ter que se entender com a Meryl Streep, que deve ganhar seu terceiro Oscar pela comédia Julie & Julia.

A briga vai ser boa.

terça-feira, 2 de março de 2010

Quando eu penso no Oscar 2010 eu penso que...


...faltando apenas alguns dias para festa, não há uma única revista de cinema brasileira abordando o assunto e, pela primeira vez em décadas, a SET (falida, quase morta) não lança a tradicional edição do Oscar. Triste, se olharmos pelo lado nostálgico.

...o excesso de informações é uma merda. Ao quadrado. Análises, listas, pesquisas, prêmios alternativos, previsões, todo dia, toda hora. Resumindo: um saco.

...já que O Oscar cortou as apresentações musicais da festa (ironia gigantesca, já que um dos diretores da festa este ano, o Adam Shankman, é coreógrafo e já dirigiu um musical, Hairspray), sobra o que? Queremos breguice, micos. Também estão dizendo que os grandes nomes (Tom Cruises e Brangelinas da vida) estão se recusando a participar da festa...

...eu adorei que sejam dez indicados a melhor filme. Se dilui a coisa toda, e também banaliza, de certa forma, a festa, dá chances de filmes como Distrito 9 (uma bela bagunça nerd, espécie de mashup da ficção B, com genes de Aliens - O Resgate, Independence Day, A Mosca e uma cacetada de referências) estamparem o selo "indicado ao Oscar de Melhor Filme". Chupa essa Batman.

...como assim, Sandra Bullock indicada a um Oscar? E ameaçando a Meryl Streep? Surreal. It's Hollywood. E o pior: Sandy, simpática, pé no chão,espirituosa e cheia da grana (mulher mais lucrativa da indústria, o que equivale a um Nobel por lá) tem reais chances de ganhar. Chupa essa Julia Roberts.


...Oscar é fase, época, espiríto. Chicago ganha ontem, Nine é ignorado hoje. Sandra Bullock quase cai no ostracismo, hoje vira uma favorita. Guerra Ao Terror não é visto por ninguém durante um ano inteiro, e de repente vira uma sensação. Quando a gente pensa que figuras como Jeff Bridges nunca ganhariam a estatueta, vemos que ele já tem o discurso pronto para a próxima cerimônia. Quentin Tarantino faz filmes geniais e é sempre ignorado, pra depois fazer um dos seus títulos mais fracos (mesmo assim, cheio de qualidades), ganhar láureas e ser promovido da cozinha para a sala de jantar.É confuso, às vezes irritante,mas no fim, muito divertido.

domingo, 31 de janeiro de 2010

10 pedidos à Academia

1. Não indiquem Invictus a Melhor Filme. Deixem espaço para 500 Dias com Ela e Educação

2. Indiquem a Melanie Laurent ou a Diane Krueger por Bastardos Inglórios. Ou as duas, de vez!Ah, e o Joseph Gordon-Levitt,claro

3. Coloquem algum filme independente de verde na lista dos 10. Surpreenda-nos. Que tal Fish Tank ou Sin Nobre?

4. Façam que nem os festivais, promovam as perólas coreanas e latino-americanas

5. Não se esquecem de indicar a Karen O. pelas canções e a trilha de Onde Vivem Os Monstros

6. Lembrar da Maggie Gylenhaal (Coração Louco) seria legal, hein?

7. Que tal um pouco de amor pra Brilho de uma Paixão, da Jane Campion e Tudo Pode Dar Certo, do Woddy Allen?

8. Ei, o Judd Apatow, que trabalhou pra vocês na última edição, não fez o seu melhor filme com Tá Rindo Do Quê?, mas merece ser lembrado

9.Lembrem se que além do Jeremy Renner,tem mais gente boa no elenco de Guerra ao Terror

9. Deixem Avatar de fora da lista de melhor filme

10. Façam que nem fizeram em anos anteriores com filmes como Cidade de Deus e E Sua Mãe Também , que foram ignorados em seus anos originais de lançamento, e coloquem Deixe Ela Entrar na categoria principal

- Só isso...

sábado, 30 de janeiro de 2010

For Your Consideration




Todos os anos as revistas, jornais e sites americanos especializados ganham muito dinehiro publicando os anúncios do tipo "For Your Consideration", pago pelos estúdios para promoverem os seus filmes, deixando claro para a Academia que eles não estão dormindo no ponto. ´É apénas umpequeno detalhe das caríssimas e agressivas campanha de marketing dos estúdios norte-americanos. São também os itens mais visíveis e interessantes. Mas vamos analisar os mais ilusórios.

Betty White como melhor atriz coadjuvante por A Proposta? Zoe Saldana como melhor atriz por Avatar? Harry Potter e o Enigma do Príncipe como melhor filme? Fergie como melhor atriz coadjuvante por Nine? This Is It como melhor filme, e Kenny ortega como melhor diretor? Estas indicações NUNCA vão acontecer, e vai ver eles sabem muito bem disso. Colocaria Se Beber,Não Case como pretenso candidato a melhor filme na lista,mas a vitória deste no último Globo de Ouro acaba sendo um incentivo diabólico a Academia...

Seria muito bom ter surpresas, mas quando chega a época do anúncio das indicações, tudo soa cada vez mais óbvio, afinal o caminhao já foi pavimentado pela escolha das associações de críticos e sindicatos. E o Oscar segue a senda fácil,fácil, daí a quase ausência de surpresas - se você ou o seu filme não ganhou nada, não recebeu nenhuma indicação de sindicato em sua respectiva área, goodbye Oscar....

Muitos cartazes são propaganda ilusórias - ou será que alguém acha mesmo que gente como a já citada Fergie tem alguma chance? Pode ser cortesia dos produtores e dos estúdios mesmo, mas não uma aposta real.

Enfim, olhar este tipo de propaganda é legal porque, obviamente pra quem tem interesse, permite que nós fiquemos informados sobre quem tá louco pra ganhar uma indicação e, no caso dos filme scom grande elenco, saber quem tá nas categorias principais ou coadjuvantes.

Aqui você encontra TODOS os cartazes de campanha, deste ano e de edições anteriores. Boa diversão.

domingo, 19 de abril de 2009

Quem Quer Ser Um Milionário? ( *** )

De cima pra baixo

Seria tão melhor assistir Quem Quer Ser Um Milionário? sabendo o mínimo possível sobre o filme, já que ao chegar para a sessão já levava uma bagagem enorme de sensações e informações, tipo de coisa que geralmente só funciona em desfavor a percepção do filme. Mas até que tudo ocorreu bem, o filme fluiu. Curiosamente, é o primeiro caso recente de filme vencedor do Oscar lançado no cinema propositadamente depois da cerimônia da Academia. Tivesse o filme perdido os prêmios principais, a maldita distribuidora Europa Filmes estaria com um tremendo pepino em mãos.

Como fã de Danny Boyle (o único filme dele que eu não gostei foi Caiu do Céu, uma bomba, que curiosamente tem muito em comum com o bem superior Milionário) foi fácil gostar deste Charles Dickens pós-moderno. Muitos críticos e intelectuais brasileiros e estrangeiros se incomodaram profundamente com um possível “olhar de cima” dos cineastas, uma visão turva da Índia e a suposta perpetuação de clichês imperialistas sobre o pobre terceiro mundo.

Bobagem. Pode se até acreditar que exista uma visão equivocada, ou o que os produtores fizeram um filme “olhe para os pobrinhos, coitadinhos”, mas prefiro enxergar uma bela fábula sobre perseverança, obstinação e amor. O peso disso tudo, mais a questão destino -ou “estava escrito”- você pode regular através de sua balança de ceticismo ou ingenuidade, vai de cada um.

Evidentemente superestimado, mas um produto bem charmoso e simpático, apesar das misérias expostas, para mim Boyle fez um trabalho bem mais interessante e funcional do que Cidade de Deus, por exemplo, a quem vem sendo bastante comparado. Também me chama a atenção que muita gente que falou mal deste aqui gostou do paternalismo frouxo e patético visto no também recente Linha de Passe, sucesso do cinema brasileiro, um filme “digno” e “nobre”, que nos mostra uma visão ridícula sobre gente da periferia, expostos como se estivessem em um zoológico, para serem estudados por acadêmicos. O que faltou de honestidade em coerência naquele sobra em coração, energia ,otimismo – e, o melhor de tudo, boa cinematografia - em Slumdog Millionaire.

Psiu: já conhecia os créditos finais, pois tinha o filme no computador (err...), pretendendo assistir antes da cerimônia do Oscar. Felizmente deletei o arquivo e assisti no cinema, não sem antes ver aquele trecho umas dez vezes. Jai H!, canção / créditos maravilhosos...

Slumdog Millionaire / Danny Boyle / 2008 (2:35:1)

quarta-feira, 5 de março de 2008

Nada de novo no front.

Eu nem comentei o resultado do Oscar né? Nem tô afim. A festa foi um saco, a única surpresa foi o prêmio de...figurino!?!Os musicais, constrangedores. Pelo menos passou rápido e não doeu tanto. E ainda esqueceram do Roy Scheider (o xerife Brody de Tubarão, MEU DEUS, como puderam???!!!) no clipe dos falecidos. A piada com a Cate Blanchett como o pitbull de Onde os Fracos Não Têm Vez que merecia sim uma estatueta, e Ethan Coen, você é ídolo. No mais,me calo para sempre.


Cate pensando: "cala a boca Penélope que eu tô ligada que você dublou aquela música em Volver!"

domingo, 24 de fevereiro de 2008

off: Palpites para o Oscar 2008

Faltando poucas horas pra festa do Oscar, com a histeria já devidamente instalada pelo mundo afora, posto meus humildes palpites, vamos ver se erro muito.

Legal que os Irmãos Coen, antes marginais da indústria, sejam agora os favoritos (embora tenha gente que acredita que Sangue Negro e Juno têm chances reais de levar), as coisas andam diferentes em Los Angeles. Não tenho em mente nenhum favorito (dos que concorrem, só assisti Desejo e Reparação, Juno, Ratatouille, O Ultimato Bourne, Piratas do Caribe: O Baú da Morte, Transformers, A Bússola de Ouro e Encantada), mas simpatizo pelos filmes do Coen, mesmo sem tê-lo visto, e também pelo P.T. Anderson, que é um cineasta do qual gosto. Coisa estranha torcer sem ver (daí mudar de opinião depois), mas é o jeito.

Dos que eu vi e concorrem a melhor filme, Desejo e Reparação, com algumas falhas, mas por fim um belo filme, seria uma escolha mais atraente do que o amado Juno, que eu achei apenas razoável – o hype em torno dele está sendo totalmente exagerado. O filme de Joe Wright (que deveria ter sido indicado no lugar do Jason Reitman) deve levar figurino e trilha sonora também.

Só torço contra mesmo o Julian Schnabel, que vai fazer história se levar, afinal o seu filme O Escafandro e a Borboleta não está concorrendo a melhor filme ou filme estrangeiro. E embora na categoria d emelhor atriz ocorra uma forte disputa entre a Julie Christie e a Marion Cottilard, não duvido se a Laura Linney leve a estatueta. Mas zebras nessa categoria não ocorrem há anos, e este tipo de obviedade que o torna o Oscar cada vez mais sem graça. Na categoria de melhor ator, embora muitos apostem o fígado no smepre excelente Daniel Day-Lewis, não duvido nada se der Johnny Depp, afinal depois que ele se tornou lucrativo, virou um queridinho da Academia. De resto estou indiferente à premiação, e espero que seja uma noite divertida.

Aqui vão os palpites:

FILME / DIREÇÃO / ROTEIRO ADAPTADO:

Pra quem eu torço: Onde os Fracos Não Têm Vez
Quem eu acho que leva: Onde os Fracos Não Têm Vez

ROTEIRO ORIGINAL:

Pra quem eu torço: Ratatouille
Quem deve levar: Juno

ATOR:

Pra quem eu torço: Johnny Depp (Sweeney Todd)
Quem deve levar: Daniel Day-Lewis (Sangue Negro)

ATRIZ:

Pra quem eu torço: Julie Christie (Longe Dela)
Quem deve levar: Marion Cottilard (Piaf – Um Hino ao Amor)

ATOR COADJUVANTE:

Pra quem eu torço: Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Quem deve levar: Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)

ATRIZ COADJUVANTE:

Pra quem eu torço: Tilda Swinton (Conduta de Risco )
Quem deve levar: Tilda Swinton (Conduta de Risco )

Filme estrangeiro e outros: indiferente/não faço idéia.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Chutes de quem não tem o que fazer.


Faltam poucos minutos pro anúncio do Oscar,e eu venho correndo aqui desejar que:

O Tim Burton seja indicado pela primeira vez e o seu filme leve muitas indicações, algo que nunca ocorreu - Johnny Depp indicado seria bom também.

O mesmo vale para os Irmãos Coen e P. T. Anderson, dois artistas subvalorizados por esse tipo de prêmio.

Seria bom também que a Angelina Jolie não fosse indicada, idem George Clooney, idem Keira Knightley, idem o filme do Sean Penn, idem Ridley Scott.

Onde foi parar Sidney Lumet? Ang Lee, cadê você? E O Caçador de Pipas?Amy Adams, vai aparecer?Curioso, há muitos filmes de suposta qualidade brigando pela vaga principal, muitos vão sobrar.

Não sei o que pensar de "Desejo e Reparação". Acho que vai levar bomba hoje, mas se tiver a mesma qualidade do filme anterior de Joe Wright, já virei fã.

E que a lista de prêmios seja menos óbvia do que todas que vêm aparecendo até agora. Estes prêmios estão cada vez mais banais e óbvios.

Quanto ao filme brasileiro, é fraco, mas deve ser indicado, embora a imprensa esteja confiante demais.

Chutes rápidos:
FILME:

Desejo e Repação - Onde Os Fracos Não Têm Vez - O Escandrafo e a Borboleta - Juno - Sweeney Todd
DIRETOR:

Joe Wright - Ethan Coen & Joel Coen - P. T. Anderson - Julian Schnabel - Sean Penn

ATORES:

Viggo Mortensen - George Clooney - Daniel Day Lewis - Johnny Depp - Ryan Gosling

Casey Affleck - Javier Bardem - Tommy Lee Jones - Tom Wilkinson - Philip Seymour Hoffman

ATRIZES:

Ellen Page - Marion Cottilard - Julie Christie - Angelina Jolie - Cate Blanchett

Tilda Swinton - Catherine Keener - Cate Blanchet - Saoirse Ronan - Amy Ryan

domingo, 22 de abril de 2007

A Rainha ( **1/2 )


God Save The Queen...she ain´t no human being...
Filme bem interessante este A Rainha. Parando pra pensar nele, fica a certeza de ser uma obra de certa forma arrogante e curiosa, pelo tema e por lidar por personagens que são ícones, vivos ou não, e sempre presentes na mídia. Um exemplo que serve de paralelo para se situar seria a idéia de filmar daqui a alguns anos o envolvimento de Lula no escândalo do mensalão, ou melhor ainda, o impeachment de Collor. Imagine aí o personagem tendo conversas com a mulher no meio da madrugada, sendo xingado na rua e se decepcionando quando expulso da cadeira de presidente. E o filme terminaria com ele prometendo voltar um dia. Brrrrr...

Há quem chame este aqui de telefilme cheio de pose, o que não deixa de ser verdade, sem desmerecer a obra do interessante Stephen Frears (Ligações Perigosas, Alta Fidelidade). Mas a estrutura do filme é tão parecida com produções de tv, sem falar no tema que não faria feio numa HBO e BBC, que não dá pra evitar as comparações. Outro fator são as imagens de arquivo que recheiam o filme. Muito estranho ver na telona aquelas cenas de tv, com definição ruim e destoando do resto. Talvez a intenção fosse passar realismo, situar o espectador junto aos fatos e economizar no orçamento, mas não me agradou.

A fotografia do brasileiro Affonso Beato é clássica e bela nas cenas da Famíla Real, e granulada e mais contida nas cenas de Tony Blair, mas isso não diz muita coisa. O elenco está excepcional, e o resultado é positivo.

Curiosamente achei Helen Mirren ao mesmo tempo a melhor e pior coisa do filme. Não se enganem, a atuação dela realmente é muito boa, e os prêmios ganhos por ela são todos merecidos. Mas num filme que aposta tanto na semelhança com a vida e os fatos reais, o fato de Mirren não parecer nem um pouco com a Rainha Elizabeth II atrapalha, e muito. Já Michael Sheen lembra muito Tony Blair e está excelente, embora o personagem seja um favorito do roteirista Peter Morgan. Sheen talvez tenha sido o ator mais injustiçado na temporada de premiações, seu retrato de Blair é muito interessante.

O roteiro de Morgan especula um bocado, mas não importa se você acredita no que o filme mostra entre os bastidores, afinal muito da história são fatos, e é bom saber uma ou mais coisas interessantes sobre a sociedade britânica, a Monarquia e o culto a celebridades.

Outro fato que me chamou a atenção é que o filme não é só de/sobre Elizabeth II, mas também de/sobre Blair e, claro, Ladi Dy, que, não é exagero dizer, pode ser interpretada como a rainha do título (seria uma ironia?), embora aqui se explique o surgimento do “título” Princesa do Povo.

Uma pena que a sessão em que eu vi o filme esteja um inferno, cheio de adolescentes cretinos atrapalhando a sessão, bate boca com lanterninhas, gente falando alto no celular...enfim um verdadeiro inferno, e que me tirou a concentração e também o prazer de apreciar o filme. Agora é esperar para conferir de novo em dvd e, quem sabe, gostar mais.

A cena do cervo é belíssima, e um dos momentos mais inspirados que eu já vi num filme esse ano, ótima sacada do roteirista. Outra cena muito boa é a da garotinha com buquês de flores, forçada, mas bem eficiente.

E o que será que Elizabeth II achou disso tudo? Declarações oficiais afirmam que ela sequer viu o filme, o que a primeira vista pode parecer improvável, mas a julgar pela personalidade dela mostrada aqui, pode bem ser verdade. Talvez só descobriremos sua opinião sobre o filme depois de sua morte ou até mesmo nunca... Nobreza é outra coisa, goste ou não.

O MELHOR: as atuações de Mirren e Sheen O PIOR: a poluição visual e o romantismo excessivo do "personagem" Tony Blair

terça-feira, 27 de março de 2007

Cartas de Iwo Jima ( **1/2 )



Clint Eastwood não é Deus

Fui ver esse filme com a expectativa lá na estratosfera, o que geralmente é ruim...Sempre achei esse oba-oba em cima de Clint Eastwood um grande exagero. Praticamente colocam o cara como um mestre, um autor, salvador do cinema adulto americano, tudo um exagero. Acontece que a indústria americana anda cada vez mais patética (só digo que esse ano teremos um filme estrelados pelos robôs Transformers,Jesus...) e quando temos um cineasta que faz filmes minimamente decentes, já é alçado a algo além do que é.

Cartas é um filme bom, com certeza, mas absolutamente convencional, em sua direção, em seu roteiro. Tem uma fotografia diferente, o fato de ser falado em japonês é algo positivo, os atores são bons, mas está muito aquém de filmes de guerra que têm um diferencial , como os ótimos O Resgate do Soldado Ryan e Além da Linha Vermelha, talvez os últimos exemplares decentes do gênero.

Embora tenha toda essa característica japonesa, o filme é americano até a medula. Isso não é defeito, mas esperava uma narrativa mais poética e menos óbvia em certos momentos.

Infelizmente vi o filme antes do anterior A Conquista da Honra, o que talvez fizesse com que eu olhasse a obra com outros olhos,mas, enfim, este aqui é o que é, e deve funcionar sozinho.

Bom ver um estúdio dar dinheiro pra fazer um filme caro como esse, que possui caracteristícas que certamente repelem o público americano médio, que só deve ter visto o filme pelo nome do diretor, o que só demonstra a força que Eastwood tem, e também é admirável o vigor que ele possui. Mas não exageremos minha gente, aqui há cinemão clássico do bons,mas não passa de feijão com arroz.
Letters From Iwo Jima / Clint Eastwood / 2006 / (2:35:1)

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Finalmente foi!


Bom, apesar do resultado pífio (um filme que não merecia ganhar,mas qual a novidade nisso?), gostei do Oscar 2007. Aos que reclamam que Martin Scorsese foi agraciado por um filme menor, pior seria se ele tivesse ganho por Gangues de Nova York ou O Aviador, filmes ainda mais falhos que Os Infiltrados. E melhor ainda que Babel foi reduzido ao prêmio de trilha sonora, e só.

Muito bom ver Scorsese desencalhando, mas também não precisava deixar tudo mais explícito do que já era ,colocando no palco para apresentar o prêmio o trio Spielberg, Lucas e Coppola.

Peter O´Toole não teve a mesma sorte de Scorsese, e os membros da Academia não ficaram com pena dele, dando o prêmio para o bom Forest Whitaker. Helen Mirren ganhou, como o esperado, e Jennifer Hudson também, talvez por falta de opção. Veremos quantos filmes (e o nível deles) ela fará nos próximos anos.

O Labirinto do Fauno foi surpreendentemente o segundo mas premiado da noite, ganhando 3 prêmios técnicos- é muito bom ver esses prêmios sendo dado para um filme mexicano e não um blockbustaer americano, a despeito do fato de que os técnicos que trabalharam em Fauno também trabalham no cinemão de Hollywood. O diretor de fotografia Guillermo Navarro (que já assinou um Tarantino, Jackie Brown) passou a perna no excelente –e,olha só,também mexicano – Emannuel Lubezki (que concorria por Filhos da Esperança). Isso não foi legal, afinal Lubezki é um dos melhores cinematographer da atualidade, era o favorito, e fez trabalhos excepcionais em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça e O Novo Mundo.
Ironicamente, o diretor de Fauno, Guillermo Del Toro, saiu de mãos vazias, perdendo em roteiro e filme estrangeiro – o comitê que seleciona os filmes dessa categorias gostam de ser malvados, e escolheram o elogiado A Vida dos Outros, da Alemanha. Mas não indicar Volver esse ano foi um absurdo tão grande que esse resultado não surpreende.

Um dos filmes mais massacrados do ano passado, Maria Antonieta, levou o prêmio de melhor figurino, e Milena Canonero, antiga colaboradora de Stanley Kubrick, agradeceu ao mestre, muito bom esse momento . As apresentadoras dessa categoria e estrelas de O Diabo Veste Prada, Anne Hathaway e Emily Blunt(que deveria ter sido indicada como coadjuvante) esperavam que a estatueta fosse para o seu filme, e devem ter ficado com a cara no chão quando leram que o prêmio era para outro filme(viu como o Oscar é sacana?), mas foi muito bom vê-las contracenando com Meryl Streep,na platéia fazendo cara de escrota, igualzinho como se vê no filme. Impagável.

O que mais dizer? Visual cafona, festa chata, Ellen DeGeneres (que cara engraçada a dessa mulher) tímida porém eficiente (cadê o Jon Stewart?), tudo muito óbvio.

Os clipes desse ano homenagearam os roteiristas (editado por Nancy Meyers, que colocou várias imagens do seu Alguém Tem Que Ceder), a sociedade americana (Michael Mann foi o responsável, citando o seu Ali) e os filmes estrangeiros ( esse foi feito pelo Giuseppe Tornatore, que colocou diversas cenas do seu inesquecível Cinema Paradiso).

Curioso, na minha opinião o único prêmio realmente merecido que Os Infiltrados levou foi o de direção mesmo, já que Scorsese conduz de forma brilhante um filme que beira o banal e coisas piores. A edição de Vôo 93 é mais interessante e difícil, o roteiro do filme é artificial e é uma adaptação que pega muito do filme original e com certeza não é o melhor filme do ano(afinal, como decidir isso?). Mas já estamos vacinados contra o Oscar, e a partir do momento em que se entende como o jogo funciona tudo se torna mais razoável.

Prêmio de marketing, da indústria, de propaganda, de autocelebração, não importa, tudo ali não passa de fogos de artifício. É divertido de ver, mas é bom não cair na armadilha de pensar que eles realmente premiam os melhores. Vai ver nem os eleitores da Academia acreditam mesmo nisso.

domingo, 25 de fevereiro de 2007


Não há unanimidade na categoria melhor filme,blá blá blá, e outros papos que já encheram o saco, então o post é só pra registrar os chutes e ver depois se eu viajei muito.

filme
quem ganha:Os Infiltrados
quem eu votaria: A Rainha, mas por falta de opção.

direção
quem ganha:Martin Scorsese
quem eu votaria:Martin Scorsese

atores
quem ganha:Peter O´Toole/Alan Arkin
quem eu votaria:Peter O´Toole/Alan Arkin

atrizes
quem ganha:Helen Mirren/Jennifer Hudson
quem eu votaria:Kate Winslet/Cate Blanchett

roteiros
quem ganha:Pequena Miss Sunshine/Os Infiltrados
quem eu votaria:O Labirinto do Fauno/Pecads Íntimos

Tudo isso foi muito preguiçoso e absurdo, já que vi pouca coisa, mas é só pra constar. E sou um dos poucos que acreditam que o Peter O´toole leva. E não duvido nada se der DiCaprio. Oscar muito imprevisível mesmo, mais do que o habitual.

E, em melhor filme, que dê qualquer um, menos Babel. E, se der mesmo Peqena Miss Sunshine, vai ser o resultado mais bizarro do Oscar em todos os tempos, junto a Crash. E não me refiro apenas á qualidade do filme, depois explico o que acho.