terça-feira, 17 de abril de 2007

Embriagado de Amor ( **** )

O amor segundo Paul Thomas Anderson

Vindo dos aclamados(e muito bons,principalmente o primeiro) Boogie Nights e Magnólia, Paul Thomas Anderson (já assinando P.T. Anderson) resolve fazer algo diferente em Embriagado de Amor, e o resultado é bem positivo. Se Boggie Nights lembrava, sem esquecer de ser original, Martin Scorsese e Quentin Tarantino, e Magnólia pagava tributo a Robert Altman, este Punch-Drunk Love lembra bastante o trabalho dos Irmãos Coen. Mas o melhor de tudo é que mesmo recheado de referências,Anderson tem uma voz própria e muitas idéias boas são jogadas para o público.

A escolha de Adam Sandler como protagonista é uma sacada genial. Não se trata das comédias geralmente irritantes que Sandler estrela e estouram nas bilheterias todos os anos. Aqui ele pega o lado mais negro de sua personalidade e compõe a figura frágil e levemente bizarra de Barry Egan, um cara que cresceu nóiado perturbado por sete irmãs pentelhas. Infeliz, solitário e sem saber se expressar, as coisas começam a mudar para Barry quando ele se apaixona, com um certo pé atrás, pela colega de trabalho de uma de suas irmãs. Ela é interpretada pela maravilhosa Emily Watson, e os dois têm uma química muito boa. Lembra um pouco O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, mas sem o açúcar. Curiosamente, Watson era a primeira escolha de Jean Pierre Jeuneut para interpretar Amélie, e isso diz muito.

O ritmo é nervoso e frenético muitas vezes, mas quando filme pára pra respirar, no Havaí, é sensacional. E que imagem é aquela do casal se encontrando num corredor, com aquela paisagem ao fundo?





O som aqui é muito interessante, tanto a sonoplastia em si quanto a trilha sonora do indie Jon Brion, e certos movimentos de câmera deixam um sorriso no rosto – Anderson é um diretor que se preocupa tanto com a parte técnica quanto com o visual e o roteiro, tudo é muito bem equilibrado em seus filmes. Não é a toa que ele é um dos mais admirado de sua geração. Sou fã, e infelizmente ainda não vi seu primeiro filme, Jogada de Risco, com Gwyneth Paltrow, Philip Baker Hall e Samuel L. Jackson, aparentemente inédito em dvd no Brasil.

Filme estranho com gente esquisita, gosto muito. Defino assim por falta de termo melhor, não é uma intenção de catalogar nada nem ninguém... Muito bom.

O MELHOR: o romantismo estranho e a arte de Jeremy Blake
O PIOR: Philip Seymour Hoffman poderia aparecer mais

Um comentário:

Saul disse...

Eu adorei, já entrou pra lista dos melhore4s de todos os tempos. Uma versão esquizofrênica da solidão e desajuste de Lost In Translation, com o toque amalucado dos Coen.
Shut, shut, shut, shut, shut the fuck up kkkkkk