segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Se Beber, Não Case ( * )


Também quero rir

Mais um que aposta em cheio no absurdo e no politicamente incorreto, este Se Beber, Não Case (tradução rocambolesca para The Hangover, ou simplesmente “A Ressaca”) não vai muito longe, no fim sendo um filme cretininho e óbvio como parecia ser. Foi um dos maiores sucessos de bilheteria do ano nos Estados Unidos, o que não causa choque, mas nos diz uma ou outra coisa sobre como a coisa está feia no circuito comercial de filmes norte-americanos – o que vale pro resto do mundo. Se Deus existe ouvindo, mande uma comédia decente para a gente, JÁ!

Aqui os cineastas investem na tática, que já está tornando-se velha, de promover o uso de clichês e, antes disso, contorná-los, o que resulta em um filme que é menos óbvio do que poderia e deveria ser, mas mesmo assim é ruinzinho de dar dó. Embolar na cronologia também é uma tática. E também não funciona.

Animais, minorias, bebês e outras criaturas indefesas são as maiores vítimas aqui, em um tom de pseudocamaradagem que resulta em um grande nada. A premissa, que mostra as conseqüências de uma noitada e não a noitada em si (aparentemente não viram Cara, Cadê Meu Carro? que, acreditem , é superior), também não é grande coisa. Se há algumas risadas amarelas, e pelo menos pra mim um momento de risada genuína (a trilha sonora absurda no casamento que acontece no final do filme) , é lamentável constatar que esse filme é extremamente besta e falho. Também queria rir, mas não deu. U$ 275 milhões de bilheteria doméstica, uau.

Mas, voltando ao que interessa, o que mais gostei é que ao menos o elenco é formado por completos desconhecidos do grande público. O mais famosinho é o projeto de galã Bradley Cooper, que está quase chegando lá. Curiosamente, Cooper vem se dando muito bem em papéis coadjuvantes em comédias de sucesso, como o inédito no Brasil America Wet Hot Summer, Ele Não Está Tão Afim de Você e o terrível Penetras Bons de Bico, que também foi um fenômeno nas bilheterias lá de cima.

Se Beber, Não Case não é tão horrendo como este último, mas tem um roteiro mambembe, medido e pesado para agradar a plateia masculina, e que fornece algumas pistas do porquê de tanto sucesso. Mulher aqui ou é tonta ou é uma megera, prostitutas é que são dignas e tem bom coração, Mike Tyson é um cara muy legal e ter mais de 30 anos e pensar como um adolescente retardado é que é massa.

A análise pode soar meio ranzinza, mas não deixa de ser chocante ver na tela tantas ações e comportamentos cretinos sendo ministrados com uma suposta demonstração de leveza e um jeito legal de levar a vida– ei, vamos cair na farra e comemorar a idiotice. No final contraditório, o abestalhado aprende a se respeitar, o canalha vira bom pai e etc. Funciona para muita gente.

Dirigido por Todd Philips, o mesmo de Caindo na estrada, este The Hangover parece um remake do filme de 2000, mas com uma dose de regressão. Se ali eram adolescentes que aprontavam das suas, aqui são marmanjos ainda mais imbecis, fazendo coisas ainda mais estúpidas. Judd Apatow fez falta aqui. Passo.

PSIU: este filme da Warner é proibido para menores desacompanhados nos Estados Unidos. No Brasil levou cortes de cenas de sexo e teve palavrões atenuados nas legendas para obter classificação etária de 14 anos. Curiosamente, também foi lançado em diversas versões dubladas. Mais non sense, impossível.

PSIU 2: Recentemente, Halloween – O Início, da Playarte, e Brüno, da Sony, também sofreram cortes no Brasil, para atenuar conteúdo sexual ou de violência. Está virando modinha, e infelizmente é uma iniciativa que está partindo das próprias distribuidoras, e não de algum órgão governamental ou grupo organizado careta. Lamentável, e dá medo. Por outro lado, o polêmico Anticristo foi lançado sem cortes pela distribuidora Califórnia Filmes, que poderia optar por lançar uma versão mais leve, fornecida pela própria produtora do filme, como aconteceu em diversos países. Palmas para eles, mas não fizeram nada além de sua obrigação. Depois reclamam quando baixam filmes na internet.

O PIOR: É bobo e sem graça, mais do que o recomendável

O MELHOR: Não é tão óbvio como parecia ser e o elenco masculino é interessante, melhor do que o filme.

The Hangover / Todd Phillips / 2009 (2:35:1)

4 comentários:

Rafael Carvalho disse...

Opa João, como vai? Também nunca ia adivinhar que você lia meu blog. Quanta coincidência, hein? É muito bom conhecer cinéfilos de cidades mais próximas. Já linquei seu blog lá no Moviola. Vamos conversar mais, velho!

Esse Se Beber, Não Case tava passando aqui em Conquista, mas dublado, então não vi. Mas tem super jeito de comédia um pouco diferente das demais, não tão convencional, e isso já é muita coisa. Vou ter de esperar o DVD mesmo.

Jaque disse...

Vou assitir...se o elenco masculino não for bom assim, vc me paga!kkkkkk

Valeu João...vc tem futuro! Aguardo a crítica de Bezouro...rsrsr

João Daniel Oliveira disse...

Rafael, até hoje não entendo como um filme desse pode passar dublado. É a mesma coisa que dublar um pornô.

Jaque, rs, o elenco é legal sim, melhor do que o filme. Besouro, apesar de ter sido feito pelo meu xará, eu passei,rs.

Anônimo disse...

molto intiresno, grazie