sábado, 17 de março de 2007

Babel ( *1/2)


Corra que os mexicanos vêm aí

Babel guarda muitas semelhanças com Crash- No Limite. Se a bomba do americano Paul Haggis conta uma só história com personagens diversos que se cruzam, latem uns pros outros e depois choram que nem bebês no final, o mexicano Alejandro González Iñárritu mostra três histórias em que as ações de um personagem afetam outro alguém, não importa a distância física entre as pessoas. E todos choram que nem bebês no final.

Ambos também pertencem ao gênero gente idiota fazendo coisas estúpidas, o que na verdade não passa de um amontoado de crateras e absurdos imensos em seus determinados roteiros, falhas que infelizmente o público engole direitinho.

Haggis e o mexicano Guilermo Arriaga devem ter freqüentando a mesma escola de escrita, a julgar pela semelhança dos artifícios de manipulação contidos nos roteiros dos dois. Só que se em Crash tudo era brega e descontrolado, em Babel o nível é um pouco melhor . Tirando a absurda historieta que se passa no México, as ambientadas no Marrocos e- principalmente - no Japão funcionam bem, com um ou outro defeito. Só que isso aqui não é uma coletânea de curtas, então tudo vai por água abaixo. A ligação entre as três ações beira o absurdo.

O que mais choca nesse filme é que basicamente se trata de gente muito burra do terceiro mundo ferrando os desenvolvidos. E o filme é dirigido por um mexicano, vê se pode...

Técnicamente Babel é muito bom, o elenco está bem, a música é ok, mas o roteiro é uma lástima- sisudo, equivocado e cheio de si.


Vale pelo elenco e pela última cena, belíssima. Mas não se engane, bom isso aqui não é.
Babel / Alejandro González Iñárritu / 2006 / (1:85:1)

7 comentários:

Saul disse...

Eu encaro assim:
O cara dirigiu 21 Gramas. Isso não deve prestar rsrs.
Mas as sequências no japão são bem filmadas. Pelo menos, um bom trabalho de fotografia, e um cenário japonês. Pelo que ví no youtube rsrs
Na verdade, acho que preciso de um Lost in Translation 2.

Jt. Daniel disse...

Na verdade, acho que preciso de um Lost In Translation 2 (2)

Julio disse...

Até que vc foi bonzinho com o Inarritu rsrsrsrsr Dizer que a últiam cena é belíssima é ser muito condescendente. Aquilo é diluição burra de tudo o que nos acostumamos a achar cool no cinema moderno (Lost in Translation é só a ponta do iceberg). Observe bem como as passagens do oriente médio não remetem diretamente à exploração dos espaços desérticos no cinema iraniano e afins, com todos os clichês "neo-neo-realistas" a que esses filmes nos habituaram (família miserável, crianças chorosas, um drama absurdo...). Da mesma forma é o olhar "urbano" lançado para o oriente: conflito de gerações, sexualidade em flor, ocidentalização, consumismo, dificuldades de comunicação... Nada de novo no front. Quem já viu algum filme de Ang Lee (pré-Hollywood), Tsai Ming Liang ou Wong Kar-Wai, para ficar apenas nos medalhões, conhece bem a origem daquelas imagens.

Heron disse...

Resumindo, e como eu comentei com vc, depois de Babel a pessoa ainda vai achar que os mexicanos são suados, surdos-mudos são engraçados, japonesas são safadas e os árabes moram todos em cavernas... o mundo é grande, cheio de gente e todos são exatamente como nós os imaginamos ou vimos no noticiário.

Jt. Daniel disse...

Gente...vocês são mais malvados que eu...

Ricardo Freitas disse...

Estou os achando malvados demais. Quem escreve a crítica? Voraz, heim?
De toda forma, bom saber que, apesar de não termos quase nada para comentar nos dois únicos conjuntos de saletas de Itabuna e Ilhéus, ainda assim, conseguimos ser críticos. Mas, vejam: que venham mais crash's e babéis a termos que aturar os correndo para os infernos XXXVIII.
hehehehe.....

Ricardo Freitas disse...

Acabei de ler que o roteirista do filme, Gillermo Arriaga (21 Gramas e Amores Brutos) estará na FLIP - Parati, em julho, lançando seu livro - "um doce aroma da morte".