segunda-feira, 7 de julho de 2008

Sex and the City - O Filme ( *** )


Mulherzinhas


Malhado por muitos críticos, que atacaram desde a suposta falta de maturidade das protagonistas às piadas chulas e repetitivas, ou a futilidade da coisa toda, Sex and the City (cujo subtítulo “o filme” indica que ele não está sendo exibido na tv, desta vez) se revelou para mim um produto de plástico muito bem feito e funcional, e é claro que é melhor ser surpreendido quando se espera uma bomba do que ir ver um filme cheio de tesão, e não dar em nada.


Assisti pouquíssimos episódios da série, gostei do que vi, e ao conferir o filme me senti familiar aos personagens, não houve nenhum problema de incompreensão do que se passa na tela. Logo suspeito de que o filme deve funcionar também junto a quem não acompanhava tal seriado.


As roupas esdrúxulas continuam lá, o estilo de vida exagerado também bate ponto, embora vejamos mulheres bem sucedidas que aparentemenmte dão um pouco duro pra pagar as contas. Curioso que tanta gente se identifique com tais figuras, será que as mulheres querem ser Carrie Bradshaw, mesmo com aquele narigão? Acho que sim.

Sarah Jéssica Parker é mesmo uma figura. No cinema, podia- se ouvir claramente diversas mulheres debochando de uma suposta feiúra estampada na atriz, que seria muito feia e mal vestida. Curioso, já que, ao mesmo tempo, pareciam babar sobre o estilo de vida, os homens e as atitudes que a personagem que Parker e suas amigas exibiam e carregava na bolsa. Mulher é mesmo um bicho escroto e invejoso. Ops, foi mal aí, nem todas são assim, não é mesmo?


Enfim, não há muito o que falar, só que achei divertido e não tão cansativo, já que a metragem aqui é realmente longa, muito longa e cheirava a indulgência. Um longo episódio especial da série de tv, cinco anos após o seu fim, o filme mostra que o que as mulheres bem resolvidas querem mesmo, no fim, é casar, talvez ter filhos -e também seria bom ter amigas íntimas pra dividir traumas como chutes na bunda em plena cerimônia de casamento.


Não sei se esse é um retrato acurado da mulher moderna, que se excita tanto com uma bolsa de marca quanto com o parceiro na cama; mundo esquisito em que amar é quase tão importante quanto comprar e mostrar. Mas o que acho legal do filme é que essa busca desesperada por acessórios e tranqueiras, que no fim vão é tudo parar no lixo mesmo, não chega a ser uma obsessão das personagens, mas algo natural e inerente as suas personalidades.


Creio que tenha algo de frustrante, assustador e patético nessa linha de pensamento fútil, mas também há coisas bem piores no mundo. E que façam mais blockbusters que levem as mulheres mais velhas ao cinema, nem que sejam pra ver um filme que trate de coisas maduras, mas que é feito com um certo espírito adolescente. Voto por maturidade na tela, mesmo que ela venha preenchida com botox.


Obs: a referência a Agora Seremos Felizes foi muito boa. Alguém me empresta o dvd?


Obs 2: Jennifer Hudson é fraquinha mesmo, mas tem presença. Boa participação de luxo.


Obs 3: Sarah Jessica Parker é ótima, mas preferia quando ela se levava menos a sério,e não era escrava da moda. Vejam Abracadabra, Ed Wood e Marte Ataca!, e depois a gente conversa.


Sex and the City / Michael Patrick King / 2008 /(1:85:1)