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terça-feira, 25 de maio de 2010

Revisões, de Sodebergh a Cameron


Irresistível Paixão continua sendo o meu filme favorito do Steven Sodebergh. Ainda não cheguei na metade da muito extensa (e continua crescendo...) filmografia dele, mas nada pode superar esse delicioso jogo de gato e rato, sem animosidade, mas com muito charme.O que é aquela cena do George Clooney com a Jennifer Lopez (eles nunca estiveram tão bem, em vários sentidos, como neste filme) num porta malas de um carro, discutindo filmes dos anos 70? Mais romântico e sexy, impossível.

O Exterminador do Futuro
, um clássico das tardes do Sbt, e O Exterminador do Futuro 2- O Julgamento Final, que eu vibrava toda vez que passava na Globo, finalmente conferidos em widescreen e áudio original. O primeiro é uma aventura B muito digna; o segundo, que eu adorava, me deixou decepcionado. Claro, a ação ininterrupta é incrível,e os efeitos especiais continuam impressionante,um grande feito, depois de vinte anos. Mas, revendo esses filmes, confirmo o que senti ao ver Exterminador 4 no cinema: a série não tem história. Não é nem conteúdo, é linha narrativa mesmo.
Esse lero de voltar no tempo pra garantir o nascimento, e depois a segurança de Jesus C...ops, John Connor, já não tinha fôlego para um filme, quanto mais pra quatro (sem contar a péssima série de TV). Nada contra ver robôs descendo o sarrafo uns nos outros e destruindo geral, mas o tom pretensioso e pseudocomplexo dos filmes incomoda. Quem mandou fazer Avatar... James Cameron, a casa está caindo sobre sua cabeça.

Dúvida continua valendo pelo elenco sensacional e os diaólogos cortantes, mas algumas das metaforas chegam a ser primárias. E Phillip Seymour Hoffman está ainda melhor do que a Meryl Streep, mas não que isso seja uma competição, é claro.

Longe do Paraíso (por sinal, uma produção da dupla Steven Sodeberg e George Clooney) tem aquele visual lindo e é uma bela homenagem/recriação dos melodramas de Douglas Sirk, mas toda artificialidade dos valores de produção acabam pesando contra o filme; e às vezes pensamos que estamos vendo uma paródia, não um tributo. Faltou sutileza, mas faz bem aos olhos. Todd Haynes ainda não me convenceu, mas simpatizo pelo filme. Julianne Moore, uma deusa.

007 - Quantum of Solace
, provavelmente o primeiro filme da série no qual o James Bond não dorme com a Bond Girl principal (hum...), é ligeiro, divertido e esquecível. Do Fundo do Mar é terrível e incrivelmente mal feito (nossa, e em VHS era tão bom...), O Destino do Poseidon continua uma aventura bem divertida, Adaptação é um "filme de roteirista", em vários níveis, e mais uma prova da genialidade (adjetivo bastantye cansado,mas aqui não poderia haver outro) de Charlie Kaufmann, com um elenco soberbo, e Taxi Driver - Motorista de Táxi parece melhor a cada vez que é revisto
.

Irresitível Paixão (Out of Sight, 1998) de Steven Sodebergh *****
O Exterminador do Futuro
(
The Terminator, 1984) de James Cameron ***
O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final
(
Terminator 2: Judgment Day, 1991) de James Cameron ***
Dúvida
(
Doubt, 2008) de John Patrick Shanley ***
Longe do Paraíso (Far from Heaven, 2002) de Todd Haynes ***
007 - Quantum of Solace
(
Quantum of Solace, 2008) de Marc Forster ***
Do Fundo do Mar
(Deep Blue Sea, 1999) de Renny Harlim *

O Destino do Poseidon (The Poseidon Adventure, 1972) de Ronald Neame ***
Adaptação
(
Adaptation, 2002) de Spike Jonze *****
Taxi Driver - Motorista de Táxi
(Taxi Driver, 1976) de Martin Scorsese ****

domingo, 1 de novembro de 2009

Carrie - A Estranha ( ***** )


Barrada no baile

O meu filme de Halloween este ano (a data mais cinéfila de todas, depois do Natal, claro) foi o clássico Carrie – A Estranha. Daqueles filmes que viram ícones e fonte de referencias a cinéfilos e cineastas das gerações seguintes, o primeiro grande sucesso de Brian DePalma é uma deliciosa, e ao mesmo tempo tétrica, história de bruxa do século XX.

Baseado no primeiro romance de Stephen King, autor que não faz a minha cabeça, mas que deu base para muito filme bom de horror, Carrie é uma maravilha de se ver, e se diferencia das centenas de títulos de horror e fantasia da década de 1970 devido à direção brilhante do mestre DePalma. Os zooms, as telas divididas, os planos mistos e um ou outro brinquedo que o cineasta adora são usados aqui sem afetação e com extrema competência.

Outro ponto que coloca Carrie como um horror digno e classe A é o seu elenco. Sissy Spacek, linda e excelente atriz, usa aqui toda a sua candura e o seu lado diabólico, duas facetas aparentemente antagônicas, mas que enriquecem a sua composição da pobre garota. Ela causa simpatia e comoção por uma personagem que poderia ser facilmente rejeitada pela sua passividade.

Piper Laurie também está sensacional como a bruxa louca que é a mãe de Carrie. Fanática religiosa, ela é uma louca sim, mas uma louca pouco óbvia. Entre o elenco jovem, o destaque fica para Amy Irving, ótima como uma das poucas pessoas do colégio que se apiedam da menina, e Nancy Allen, a vadia do colégio, perfeita. Quando leva um tabefe da professora, numa cena sensacional, todos nos sentimos vingados. Cachorra!

O filme de DePalma continua sendo um marco pela sua criatividade e pela maneira de abordar o assunto, hoje em bastante evidência, do bullyng escolar. Carrietta White é tratada como lixo na escola e como bicho em casa, e quando vemos os desfechos trágicos da perseguição que sofre, ela não é vista exatamente como uma vilã. Da inesquecível e definitiva cena em que ela ensina com quantos números de pirotecnia se fazem um baile escolar, a sua volta para casa, ficamos do lado de sua personagem.

Os contornos góticos e líricos fornecem um clima a mais. Opressivo e belo ao mesmo tempo, é um filme marcante também pela forma como aborda o fanatismo religioso e mostra como gente de Deus pode ser mais malvada que o capeta.

O MELHOR: a sintonia do elenco, o roteiro enxuto e a direção firme e rica

O PIOR: Se fosse mais bem informada, Carrie poderia ser uma mulher rica e viva hoje em dia

PSIU: Em 2002, Carrie ganhou uma versão bem tosca pra televisão. No elenco, a única presença boa é a da excelente Patrica Clarckson como a mamãe doida da Carrie. A mudança mais significativa é que Carrie (aqui interpretada pela musa indie Angela Bettis,esquisitíssima) fica viva no final. Então tá.

O DVD de Carrie – A Estranha: Lançado no Brasil em uma versão sem nenhum extra pela MGM/Fox, Carrie – A Estranha ganhou uma edição especial em 2004. As capinhas são muito parecidas e em ambas as edições só há um disco, mas os extras da Edição Especial são ótimos.

A imagem está bem nítida em widescreen, com o corte original em 1:85:1. Não há comentários do grande Brian DePalma, mas ele e membros do elenco comparecem em documentários extensos sobre a produção e a escalação do elenco. Aqui é oficializada a história de que DePalma e George Lucas realizaram teste de elencos simultâneos, selecionando intérpretes jovens e desconhecidos para as modestas produções Carrie e. ..Guerra nas Estrelas!Uau.

Também temos um featurette sobre o lançamento do livro de Stephen King, galeria de fotos, menus animados (muito bons) e o trailer de cinema original. Inacreditável, nenhum dos extras conta com legenda em português. Foda-se Fox. Que a Carrie puxe o pé do executivo responsável por este descuido. Fácil de achar nas lojas virtuais e, curiosamente, a versão sem extras muitas vezes é mais cara do que a edição especial.

Carrie / Brian DePalma / 1976 / (1:85:1)