segunda-feira, 23 de julho de 2007

Ratatouille ( ****1/2 )

Muito além do Mickey

Esta nova animação da Pixar foi para mim o filme certo na hora certa: espantando o tédio e a saudade da tela grande, sendo também uma grata surpresa. Já esperava diversão e algo mais aqui, como de praxe deste estúdio, só que nunca tive muita afinidade com desenhos animados, e são poucos os que eu realmente gosto e admiro – vai ver por que eu também vejo poucos filmes do gênero. Mas, assim como em seu trabalho anterior (Os Incríveis), o diretor Brad Bird transcende o campo da animação, criando mais um grande filme que satisfaz mais do que muitos filmes live-action que entram em cartaz toda a semana.

O que eu admiro neste aqui, além do visual sensacional, é o roteiro, que subverte clichês a cada nova cena. Sim, as lições de moral, os vilões, os desentendimentos, reviravoltas da trama, está tudo aqui como manda o manual, mas tudo é armado de forma tão inteligente, que acompanhei certas cenas com um sorriso dos mais bestas na cara. Muita coisa clichê que estamos acostumados a ver nos finais de certos filmes é dispensada em tempo hábil aqui, manobra acertada e que põe o filme em outro nível.

O protagonista do filme, o ratinho Remy é outro achado. Não estamos falando de um camundogo limpinho e engraçado, mas sim de um rato de esgoto. Se você tem problemas com isso, não precisa se preocupar, pois Bird tem o cuidado de mostrar este tão temido bicho de forma muy simpática, que até mesmo quando você assiste a família do nosso herói em peso na cozinha (argh...) você já vai estar acostumado com os nossos amigos do esgoto.

Poderia ser uma bobagem ou filme bem mais simples e funcional, como o bacana Por Água Abaixo (outro desenho estrelados por ratos), mas este vai além. Para explicitar ainda mais as qualidades desse filme, caio na facilidade de dizer que este desenho é forte candidato ao Oscar de melhor filme do ano que vem, e isto é mais um elogio a cada vez mais esquecida capacidade da Academia - que nunca foi grande coisa- em reconhecer o que é verdadeiramente bom do que ao filme em si.

Nosso herói azul é um cara bem bacana, mas não fica apenas nisso. Um filme que faz você sentir empatia, se identificar e torcer a favor por um rato de esgoto merece a minha admiração. Afetuoso, inteligente e extremamente divertido, Ratatouille é o melhor filme que eu vi até agora este ano, e dá vontade de sair recomendando ele para todo mundo. Experimente.

Ratatouille / Brad Bird / 2007 (2:35:1)

terça-feira, 17 de julho de 2007


Grindhouse ( ***1/2 )

O mofo que é um luxo


A curiosidade foi mais forte, e acabei vendo Grindhouse numa cópia baixada da internet, com uma qualidade de imagem nada recomendável. Por outro lado, foi a única chance de ver o projeto em sua forma original, ou seja, os dois filmes seguidos um do outro, e entrecortados por trailers falsos, um melhor do que o outro.

A primeira parte, Planet Terror, é irregular como tudo o que o Robert Rodriguez (A Balada do Pistoleiro, Sin City) fez até agora- e ficar colado com Quentin Tarantino nesse tipo de filme não deve fazer muito bem para a auto-estima do cara. Este aqui é o que há de mais fraco em Grindhouse, mas não é necessariamente um lixo. Diverte, é engraçado, mas Rodriguez se preocupa em parecer esperto demais, esquecendo dos sustos e da adrenalina. Resumindo, é uma comédia com toques gosmentos. Mas os créditos iniciais e o desfecho são perfeitos.

Já a parte de Tarantino (Pulp Fiction, Kill Bill) é sensacional. Death Proof tem o mesmo defeito do primeiro filmete, não assusta nem um pouco, mas têm as famosas referencias pop do seu diretor, é coerente com a obra do cara, e ainda traz várias referências a filmes anteriores. Hiper divertido, e muito bem filmado- uma cena de acidente de carro não vai sair da sua cabeça...

São dois média-metragens que, curiosamente, falham no objetivo principal: resgatar o espírito das sessões duplas vagabundas. A estampa está lá, os clichês, os personagens rasos também, mas são filmes auto-consciente demais, a um passo da paródia. Sem falar que apesar de que ver os dois filmes juntos é realmente uma experiência divertida, cada um deles carrega demais os genes do seu respectivo diretor, pondo a proposta de resgate em segunda mão.

Enfim, agora é esperar pela estréia de cada filme nos cinemas, independentes e com a metragem aumentada. A distância entre os dois deve fazer bem para ambos. E o que será que vai acontecer com os trailers falsos nas versões single?

Pena que foi um fracasso nas bilheterias. A longa duração não justifica o fato, afinal o filme passa voando, principalmente na segunda parte.

Grindhouse / Robert Rodriguez - Quentin Tarantino / 2007 (2:35:1)

domingo, 1 de julho de 2007

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado ( **1/2)


Sitcom com F/X
Mais uma adaptação do universo Marvel chega aos cinemas. Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado chegou aos cinemas do Brasil na última sexta, trazendo para as telas um ícone das HQs,justamente o tal Surfista do título,que tem uma prancha mas não a usa no mar,mas no espaço(?!)

O curioso personagem já tem mais de quarenta anos nas costas sua primeira aparição foi justamente no gibi do Quarteto Fantástico,em 1966.Apesar de ser um personagem cultuado, nunca teve força suficiente pra estrelar um filme próprio.Os fãs podem ficar felizes,mas nem tanto:o personagem está lá, numa computação gráfica/trabalho de dublê bastante eficientes, mas tem pouco espaço no filme e não traz muito de suas características conhecidas nos quadrinhos. Tido como um herói trágico e filosófico,foi reduzido no filme a um capanga do espaço. O visual pelo menos está bacana.

Embora seja bobinho do começo ao fim,Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado é um blockbuster sem grandes pretensões,ao contrário do fraco Homem-Aranha 3, a maior decepção do ano até agora. Em comum,além da origem no papel, ambos os filmes têm muita vontade de faturar alto em todo o mundo. Custou caríssimo esse aqui,embora você fica se perguntando onde foi parar tanto dinheiro...,

Quanto ao elenco, só ator canastrão, até que se prove o contrário e-mais importante pro filme do que boas atuações- cheio de saúde pra dar. O casal sarado Jessica Alba/Chris Evans são os mais conhecidos do público, e aqui interpretam irmãos. O resto do elenco se resume a astros em ascensão (como o Ioan Gruffudd, o líder do quarteto) e atores de seriados de tv. A parte do orçamento geralmente reservada para grandes astros deve ter sido transferida para a área de efeitos especiais,

A sensação de deja vu é constante durante a projeção. O filme é tão quadradinho no visual e em sua estrutura, e as situações tão repetitivas, que em certos momentos você pensa que está assistindo mais um capítulo da franquia X-Men (as cenas na floresta), ou Guerra dos Mundos (as crateras no chão do centro de Londres), entre outros.

Para disfarçar a precariedade da trama, os roteiristas enfeitam o bolo e inserem dramas, como a possível separação do quarteto, mas até isso é tratado com a profundidade de um pires. Os problemas estão lá, mas não sentimos a gravidade deles. O Quarteto é light,quase infantil,uma sitcom em várias locações e com grana para efeitos especiais.


Enfim, talvez seja um pouco demais ficar exigindo profundidade de um filme assumidamente tão superficial. Nunca li nenhuma história em quadrinhos do Quarteto, mas pelo que li a respeito, o clima das histórias não era tão leve como no filme. Mas talvez o público esteja cansado dos muitos dramas de heróis sofridos e cheios de conflitos pessoais, como o Hulk, Superman , Batman- resumindo,a maioria deles. O Quarteto seria então um antídoto a tanta dor e sofrimento.

Só não vá ao cinema desavisado e esperando grande coisa. Pros menos exigentes, pode ser uma boa sessão.

Fantastic Four: Rise Of The Silver Surfer / Tim Story / 2007 (2:35:1)

Filmes de Junho de 2007

( ***** )

Melhor É Impossível (As Good As It Gets, 1997, James L. Brooks)


( ****1/2 )

Contatos Imediatos de Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind, 1977, Steven Spielberg)

Garotos Incríveis (Wonder Boys, 2000, Curtis Hanson)



( **** )

O Iluminado (The Shining, 1980, Stanley Kubrick)

Romeu+Julieta (William Shakespeare´s Romeo+Juliet, 1996, Baz Luhrmann)

Boogie Nights – Prazer Sem Limites (Boogie Nights, 1997, P. T. Anderson)

A Viagem de Chihiro (Sen To Chihiro No Kamikakushi, 2001, Hayao Miyazaki)

Minority Report – A Nova Lei (Minority Report, 2002, Steven Spielberg)


( ***1/2 )

Cova Rasa (Shallow Grave, 1995 , Danny Boyle)

De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, 1999, Stanley Kubrick)

Moulin Rouge – Amor Em Vermelho (Moulin Rouge!, 2001 , Baz Lhurmann)
Cidade dos Sonhos (Mulholand Drive, 2001, David Lynch)

Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra (Pirates of the Caribbean - Curse of the Black Pearl, 2003 , Gore Verbinski)

( *** )

2001:Uma Odisséia no Espaço (2001:A Space Odissey, 1968, Stanley Kubrick)

Chinatown (Chinatown, 1974, Roman Polanski)

Amadeus- Versão do Diretor (Peter Shaffer´s Amadeus – Director´s Cut, 1984-2002, Milos Forman)

Os Imperdoáveis (Unforgiven, 1992, Clint Eastwood)

A Múmia (The Mummy, 1999, Stephen Sommers

A Praia (The Beach, 2000, Danny Boyle)

O Céu de Suely (O Céu de Suely, 2006, Karim Ainouz)

American Pie 2- A Segunda Vez É Ainda Melhor (American Pie 2, 2001, J.B. Rogers)

Por Um Triz (Out of Time, 2003, Carl Franklin)

Sob O Sol da Toscana (Under the Tuscan Sun, 2003, Audrey Wells)

Paulinho da Viola- Meu Tempo é Hoje (Paulinho da Viola- Meu Tempo é Hoje, 2003, Izabel Jaguaribe)

Maria Antonieta (Marie Antoinette, 2006, Sofia Coppola)

Filhos da Esperança (Children of Men, 2006, Alfonso Cuarón)

Ó Pai Ó (Ó Paí Ó, 2007, Monique Gadenberg)


( **1/2 )

Uma Cilada Para Roger Rabbit (Who Framed Roger Rabbit, 1988, Robert Zemeckis)

Brinquedo Assassino (Child´s Play, 1988, Tom Holland)

Batman – O Retorno (Batman Returns, 1992, Tim Burton)

As Bruxas de Salém (The Crucible, 1996, Nicholas Hytner)

Além da Linha Vermelha (The Tin Red Line, 1998, Terrence Malick)

A Pessoa É Para o Que Nasce (A Pessoa É Para o Que Nasce, 2003, Roberto Berliner)

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, 2007, Tim Story)

( ** )

Twin Peaks – Os Últimos Dias de Laura Palmer (Twin Peaks:Fire Walk With Me, 1992, David Lynch)

Perfume: A História de um Assassino (Perfume: The Story of a Murderer, 2006, Tom Twyker)