1. Não indiquem Invictus a Melhor Filme. Deixem espaço para 500 Dias com Ela e Educação
2. Indiquem a Melanie Laurent ou a Diane Krueger por Bastardos Inglórios. Ou as duas, de vez!Ah, e o Joseph Gordon-Levitt,claro
3. Coloquem algum filme independente de verde na lista dos 10. Surpreenda-nos. Que tal Fish Tank ou Sin Nobre?
4. Façam que nem os festivais, promovam as perólas coreanas e latino-americanas
5. Não se esquecem de indicar a Karen O. pelas canções e a trilha de Onde Vivem Os Monstros
6. Lembrar da Maggie Gylenhaal (Coração Louco) seria legal, hein?
7. Que tal um pouco de amor pra Brilho de uma Paixão, da Jane Campion e Tudo Pode Dar Certo, do Woddy Allen?
8. Ei, o Judd Apatow, que trabalhou pra vocês na última edição, não fez o seu melhor filme com Tá Rindo Do Quê?, mas merece ser lembrado
9.Lembrem se que além do Jeremy Renner,tem mais gente boa no elenco de Guerra ao Terror
9. Deixem Avatar de fora da lista de melhor filme
10. Façam que nem fizeram em anos anteriores com filmes como Cidade de Deus e E Sua Mãe Também , que foram ignorados em seus anos originais de lançamento, e coloquem Deixe Ela Entrar na categoria principal
Quando vi Kill Bill – Vol. 1 pela primeira vez foi traumatizante. Para mim não foi uma sessão de cinema, foi um experimento de tortura. Não tive estômago pra tanta carnificina, e não caí naquela de que “é tudo tão artificial que não choca”. Sim, o sangue ali tem uma cor diferente e jorra em excesso, mas um braço cortado ainda é um braço cortado. Mas, se hoje não tenho problema algum em rever o filme de olhos bem abertos (tirando a cena da porta; nunca me acostumarei com aquilo), fica a lembrança da tensão causada nos filmes de Tarantino, seja por pressão psicológica ou pela integridade física do outro. Isto está presente em todos os seus filmes.
O temor pelo o que acontecerá pelos seus personagens, os confrontos, os embates muito bem construídos, são uma das melhores coisas em seus filmes, e a ausência desse sentimento em diversos momentos chaves de Bastardos Inglórios já é um indicio de que algo está errado aqui. Em cenas chaves parece que estamos vendo uma imitação Tarantinesca, não um momento saído direto da fonte.
Tem tudo o que esperamos de um Tarantino: cinefilia exacerbada, a maravilhosa reutilização da trilha sonora alheia, diálogos extensos e sensacionais, atuações intensas, a quebra de expectativas e momentos surpreendentes. Mas Bastardos não me pegou. Foi a primeira vez que não gostei de um filme de Quentin Tarantino, quem sabe em futuras revisões mudo esta impressão.
O problema aqui é que o ritmo, sempre tão fluente nos filmes do cara, é mal resolvido, e a divisão em subtramas, os inserts, não funcionam como em seus outros filmes. O roteiro de Inglórios, apesar do divertido e do delirante desfecho, também é um pouco decepcionante. Parece que foi tão bem trabalhado que passou do ponto. Merecia uma revisão e um refinamento, apesar de toda a sua inventividade.
Disfarçado de filme de guerra e vingança, aqui não temos mais uma recriação de uma aventura redentora tão popular no cinema clássico americano. A um pequeno passo da paródia, a trama aposta na subversão de velhos clichês envolvendo aliados e nazistas, uma grande brincadeira. Ambientado na Europa, não poderia ser mais americano e irônico.
Christoph Waltz, Daniel Brühl e Melanie Laurent estão sensacionais, e mereciam um filme só para os seus personagens. Brad Pitt e seu risível tenente Aldo Reiner poderiam doar todas as suas cenas para o Coronel Hans Landa e Shosanna, seria mais justo e benéfico. E que cena é aquela da grande Shosanna esperando o momento de sua vingança, ao som de David Bowie e seu tema para A Marca da Pantera? Sensacional e um dos momentos mais transcendentais do ano. Mas e o resto?
Vou parar por aqui antes que eu me incrimine mais. Pelo jeito, fui um dos pouquíssimos que não aplaudiram Bastardos de pé. Quem sabe qualquer dia desses
PSIU: Os últimos filmes de Tarantino tiveram péssima distribuição no país. Os dois volumes de Kill Bill foram lançados com seis meses de atraso em relação ao resto do mundo, e o ótimo Death Proof até hoje está no limbo da distribuidora Europa Filmes. Bastardos inglórios, a maior bilheteria da carreira do diretor, pelo jeito só saiu rápido no Brasil porque foi distribuído por uma major, a Paramount/ Universal.
A curiosidade foi mais forte, e acabei vendo Grindhouse numa cópia baixada da internet, com uma qualidade de imagem nada recomendável. Por outro lado, foi a única chance de ver o projeto em sua forma original, ou seja, os dois filmes seguidos um do outro, e entrecortados por trailers falsos, um melhor do que o outro.
A primeira parte, Planet Terror, é irregular como tudo o que o Robert Rodriguez (A Balada do Pistoleiro, Sin City) fez até agora- e ficar colado com Quentin Tarantino nesse tipo de filme não deve fazer muito bem para a auto-estima do cara. Este aqui é o que há de mais fraco em Grindhouse, mas não é necessariamente um lixo. Diverte, é engraçado, mas Rodriguez se preocupa em parecer esperto demais, esquecendo dos sustos e da adrenalina. Resumindo, é uma comédia com toques gosmentos. Mas os créditos iniciais e o desfecho são perfeitos.
Já a parte de Tarantino (Pulp Fiction, Kill Bill) é sensacional. Death Proof tem o mesmo defeito do primeiro filmete, não assusta nem um pouco, mas têm as famosas referencias pop do seu diretor, é coerente com a obra do cara, e ainda traz várias referências a filmes anteriores. Hiper divertido, e muito bem filmado- uma cena de acidente de carro não vai sair da sua cabeça...
São dois média-metragens que, curiosamente, falham no objetivo principal: resgatar o espírito das sessões duplas vagabundas. A estampa está lá, os clichês, os personagens rasos também, mas são filmes auto-consciente demais, a um passo da paródia. Sem falar que apesar de que ver os dois filmes juntos é realmente uma experiência divertida, cada um deles carrega demais os genes do seu respectivo diretor, pondo a proposta de resgate em segunda mão.
Enfim, agora é esperar pela estréia de cada filme nos cinemas, independentes e com a metragem aumentada. A distância entre os dois deve fazer bem para ambos. E o que será que vai acontecer com os trailers falsos nas versões single?
Pena que foi um fracasso nas bilheterias. A longa duração não justifica o fato, afinal o filme passa voando, principalmente na segunda parte. Grindhouse / Robert Rodriguez - Quentin Tarantino / 2007 (2:35:1)