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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Hellboy II - O Exército Dourado ( **** )


Um rapaz como nenhum outro

Hellboy 2 – O exército Dourado é maravilhoso por que, além de superar o original, acrescenta– e muito - à carreira de seu diretor, que coloca no currículo mais um grande acerto. Infelizmente vivemos num mundo tão torto que um filme tão bom como este, um blockbuster com cérebro e coração, não emplaca, não vai além do gueto dos fãs e dos iniciados.


Parece que o mesmo preconceito que atinge o nosso herói nas telas acaba refletindo neste mundo real, afinal pra que pagar pra ver um filme estrelado por um diabão vermelho com uma arma na mão. Hum, as aparências enganam...


A qualidade do filme não vem exatamente de algo original, afinal a obra lembra diversos outros filmes em pequenos detalhes ( de Homens de Preto a Os Caça-Fantasmas, entre outros) mas Del Toro supera a criação original e vai além do primeiro filme e do Hellboy dos quadrinhos.

Se o primeiro filme era uma aventura decente e esperta, mas também um tanto burocrática e esquemática, esta continuação (mais uma a entrar na nobre lista das continuações que superam os originais...) investe nos dilemas de seus personagens de uma forma surpreendente e muito saudável para este tipo de filme.


Os efeitos especiais, perfeitos e redondinhos, não chamam a atenção mais do que deveriam, e a fotografia e a direção de arte são excepcionais. Aqui os “monstros” são tão ou mais sensíveis que os seres humanos ordinários, e seus conflitos bastante interessantes. Filme muito inteligente e divertido, e o melhor do Guillermo Del Toro até agora – sim, é bem mais original e bem fechado do que O Labirinto do Fauno, o suposto filme nobre da filmografia do cineasta, mas que perde paar este aqui, que está longe de ser uma continuação banal.


Del toro está bastante controlado em relação as suas obsessões neste aqui, e é talvez o seu filme menos violento e mais apto a ser bem degustado pelo grande público, público este que não parece estar ligando pra tal filme. Pena.


PSIU: a cena mais linda que eu vi esse ano, e talvez em muito tempo, é aquela envolvendo o tal Deus da floresta. Que coisa sensível e genial.

PSIU 2: a cena em que toca a ótima canção Da Banda Travis, All I Wanna Do Is Rock, me deixou com um enorme sorriso no rosto...

Hellboy II: The Golden Army / Guillermo Del Toro / (1:85:1) / 2008


domingo, 1 de julho de 2007

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado ( **1/2)


Sitcom com F/X
Mais uma adaptação do universo Marvel chega aos cinemas. Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado chegou aos cinemas do Brasil na última sexta, trazendo para as telas um ícone das HQs,justamente o tal Surfista do título,que tem uma prancha mas não a usa no mar,mas no espaço(?!)

O curioso personagem já tem mais de quarenta anos nas costas sua primeira aparição foi justamente no gibi do Quarteto Fantástico,em 1966.Apesar de ser um personagem cultuado, nunca teve força suficiente pra estrelar um filme próprio.Os fãs podem ficar felizes,mas nem tanto:o personagem está lá, numa computação gráfica/trabalho de dublê bastante eficientes, mas tem pouco espaço no filme e não traz muito de suas características conhecidas nos quadrinhos. Tido como um herói trágico e filosófico,foi reduzido no filme a um capanga do espaço. O visual pelo menos está bacana.

Embora seja bobinho do começo ao fim,Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado é um blockbuster sem grandes pretensões,ao contrário do fraco Homem-Aranha 3, a maior decepção do ano até agora. Em comum,além da origem no papel, ambos os filmes têm muita vontade de faturar alto em todo o mundo. Custou caríssimo esse aqui,embora você fica se perguntando onde foi parar tanto dinheiro...,

Quanto ao elenco, só ator canastrão, até que se prove o contrário e-mais importante pro filme do que boas atuações- cheio de saúde pra dar. O casal sarado Jessica Alba/Chris Evans são os mais conhecidos do público, e aqui interpretam irmãos. O resto do elenco se resume a astros em ascensão (como o Ioan Gruffudd, o líder do quarteto) e atores de seriados de tv. A parte do orçamento geralmente reservada para grandes astros deve ter sido transferida para a área de efeitos especiais,

A sensação de deja vu é constante durante a projeção. O filme é tão quadradinho no visual e em sua estrutura, e as situações tão repetitivas, que em certos momentos você pensa que está assistindo mais um capítulo da franquia X-Men (as cenas na floresta), ou Guerra dos Mundos (as crateras no chão do centro de Londres), entre outros.

Para disfarçar a precariedade da trama, os roteiristas enfeitam o bolo e inserem dramas, como a possível separação do quarteto, mas até isso é tratado com a profundidade de um pires. Os problemas estão lá, mas não sentimos a gravidade deles. O Quarteto é light,quase infantil,uma sitcom em várias locações e com grana para efeitos especiais.


Enfim, talvez seja um pouco demais ficar exigindo profundidade de um filme assumidamente tão superficial. Nunca li nenhuma história em quadrinhos do Quarteto, mas pelo que li a respeito, o clima das histórias não era tão leve como no filme. Mas talvez o público esteja cansado dos muitos dramas de heróis sofridos e cheios de conflitos pessoais, como o Hulk, Superman , Batman- resumindo,a maioria deles. O Quarteto seria então um antídoto a tanta dor e sofrimento.

Só não vá ao cinema desavisado e esperando grande coisa. Pros menos exigentes, pode ser uma boa sessão.

Fantastic Four: Rise Of The Silver Surfer / Tim Story / 2007 (2:35:1)