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sexta-feira, 8 de junho de 2007

Homem - Aranha 3 ( *1/2 )


Precisando de um spa

Verão de bombas esse ano. A época mais colorida pra cinéfilos menos exigentes (olha o preconceito) vem se mostrando bastante decepcionante, mais do que o usual. Curiosamente, nunca os filmes renderam tanto, mas a qualidade ao que parece está sendo inversamente proporcional ao nível de arrecadação nas bilheterias. O público sai insatisfeito das sessões, mas respondem dando grana aos estúdios. Seria masoquismo?

Os erros de Homem- Aranha 3 são imperdoáveis, ainda mais lembrando do alto nível dos dois filmes anteriores da série, muito bem escritos e divertidos, com o segundo filme indo muito além do que qualquer um desses filmes atuais baseados em quadrinhos.

Esse aqui parece ter sido feito ás pressas pra estrear a tempo nessa temporada, com imenso cuidado na pós-produção, mas com um roteiro ridículo, e que deveria estar incompleto quando as câmeras começaram a rodar.

As coincidências absurdas são muitas, os personagens estão rasos e em excesso, os diálogos são babacas,há um desfile de atos incoerentes...disso tudo, não sei o que é pior. Há tanta gente em cena e conflitos aqui, e tão pouco espaço pra sustentar tudo isso, que o filme se torna flácido.

Mais infantil que os anteriores, também é o que faz mais concessão ao público, o que é um absurdo, afinal Sam Raimi teve o mérito de tornar o segundo capítulo um filme estranho e autoral , cheio de suas marcas. Tirando uma ou outra coisa bizarra e uma ou outra cena de gosma e insinuações de terror, este terceiro capítulo tem muito pouco do seu diretor, o que não deixa de ser irônico, afinal pela primeira vez Raimi assina oficialmente o roteiro do filme.

Ver Peter Parker dançando nas ruas e bancando o emo, por mais absurdo e destoante que seja, é um alívio, por que por bem ou por mal lembra a estranha originalidade que Raimi soube imprimir muito em aos filmes anteriores.

Extremamente decepcionante, não é um filme desagradável de se ver, mas está longe da qualidade esperada. Bryce Dallas Howard é uma ótima adição ao elenco, e aproveita muito bem o pouco que lhe dão. Mas os seus fãs não precisam se preocupar: mais continuações vêm aí, mesmo que com outro elenco principal. Isso nunca é bom, mas se acontecer, que voltem a se concentrar mais no roteiro e menos nas pirotecnias bobocas.

Ah, eu falei do final completamente patético? Nem o desenho que passava de manhã na Globo conseguiu ser tão absurdo e babaca.

Spider-Man 3 / Sam Raimi / 2007 / (2:35:1)

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Homem - Aranha ( *** )


O herói de todos nós

A febre Homem Aranha está previsivelmente em todos os lugares, ganhando muito dinheiro e fazendo a alegria de muita gente, deu então vontade de escrever alguma coisa –é,essa coisa pega.

O primeiro filme é bem bacana, o segundo vai muito além do que se poderia esperar de uma continuação, e o terceiro eu ainda não vi. Pelo o que eu andei ouvindo e lendo, não tem cara de ser grande coisa, então antes de talvez jogar minhas boas lembranças pela série na lama, registro aqui algo sobre o primeiro filme.

Raimi adapta de forma muito esperta o universo do herói, talvez o mais popular dos quadrinhos, mais até que Batman e Superman. Afinal, Peter Parker/Homem-Aranha é gente como a gente, cheio de problemas familiares, afetivos, empregos ruins e muitas contas pra pagar. A cara de tonto de Tobey Maguire ajuda muito, embora às vezes tenha-se a impressão que Peter sofra de síndrome de Down.

O vilão Duende Verde é um tanto chato mas funciona, a cena no Times Square émuito boa, e o filme segue burocrática e competentemente rumo ao embate final, com um ou outro toque inspirado – como a cena do beijo na chuva, já clássica.

Enfim, um filme com tudo no lugar certo, feito com muito dinheiro, e pra sorte de todos,muita inspiração também.

Curiosamente, o filme foi rodado em tela quadrada (1:85:1), algo que eu achei muito estranho, mesmo nessa época, em que eu não conhecia nem me interessava por essa questão de formatos de tela. Não sei por que Raimi escolheu esse tamanho, talvez por ser mais adequado a uma história vinda dos quadrinhos, ou talvez só para ser coerente com o clima e visual B(nesse caso aqui, B de bom, por que não foi nem um pouco barato, só em espírito) do filme- assim como ocorreu com o Guerra dos Mundos de Spielberg, que me chamou de vez a atenção para essa questão dos formatos.

Hum, esse texto me deu uma vontade de rever Hulk...

Spider-Man / Sam Raimi / 2002 / (1:85:1)

segunda-feira, 30 de abril de 2007

As Virgens Suicidas ( **** )


As meninas do bairro

Filme especial esse As Virgens Suicidas. Carregado de nostalgia do início ao fim, bate forte em quem aprecia um certo estado melancólico em filmes, e mais ainda se este estado for ligado à adolescência e suas esquisitices emocionais.

Estréia na direção de Sofia Coppola, Virgens tem as marcas que viriam aparecer nos filmes seguintes da diretora, corroborando que se trata de uma autora, com uma mão única e identificável em sua obra. São apenas três películas (esta, mais Encontros e Desencontros e Maria Antonieta), mas que dizem muito. Na filmografia de Sofia, qualidade significa bem mais que quantidade.

Este aqui lembra as emoções causadas por um vhs perdido no fundo do baú, ou um diário cheio de bobagens e exalando perfume de menina, fotos antigas...Seja lá o que for, o clima de sonho ou lembranças sonhadas faz efeito, sem os vícios do cinema indie americano, muito obrigado.

Uma investigação sobre o que levou as cinco meninas loiras do bairro a cometerem suicídio, cinco fantasmas pairando no ar e que vão ficar para sempre ao redor de todos os garotos da vizinhança. Embora cada cena só explicite o grau de desespero daquelas adolescentes que sofrem na mão de pais castradores, os personagens masculinos se perguntam cada vez mais descrentes sobre o que acontece naquela casa. Mora aqui o único defeito do filme, coisa comum em adaptações literárias. Perdoável.

Além do elenco classe A de veteranos que a diretora conseguiu para coadjuvar no filme (papai deve ter feito uns telefonemas), outro grande acerto é a trilha arrepiante e climática da dupla francesa Air, que divide espaço com hits dos anos 70 e ajuda e muito na narração deste pequeno conto.

O elenco jovem está irreprensível,e o destaque surpreendemente vai para Josh Hartnett. Sua cara de porta cai perfeitamente bem aqui, e Hartnett convence como o adolescente galã que toda escola tem – e, que nesse tipo de filme, sempre se dá mal no futuro, trabalhando no posto de gasolina ou internado numa clínica de reabilitação, interessante.

Pena que um filme tão bom como esse se encontra no limbo pros cinéfilos brasileiros: o dvd praticamente não existe mais para a venda, sabe se lá por quais motivos, é difícil de achar nas locadoras, e só baixando, alugando a fita de vídeo ou esperar uma reprise na tv pra conferir.

Um filme de e para adolescentes que vale muito a pena.
The Virgin Suicides/ Sofia Coppola /1999 (1:85:1)

domingo, 22 de abril de 2007

Entrevista Com o Vampiro ( *** )

A Dança dos Vampiros

Hoje Tom Cruise perdeu muito do prestígio que tinha, afinal todo mundo já sabe das baboseiras que ele anda falando e fazendo em nome da Cientologia, aquela religião obscura que muitas celebridades de Hollywood adoram. Mas antes de falar e fazer besteiras em excesso, Cruise era o garoto símbolo de Hollywood, e cada filme seu era (e de certa forma ainda é) um evento. Fazendo um ou dois filmes por ano, a presença de Cruise na tela jamais era banalizada, e ele sabe como ninguém escolher um projeto.

É dessa fase saudável que vem Entrevista Com O Vampiro. A Warner apostou alto na adaptação de Anne Rice, mas se o nome de Cruise vem primeiro nos créditos, o astro aqui é Brad Pitt, na época em ascensão. De bônus, outro preferido das mulheres - e também decolando em Hollywood na época- Antonio Banderas.

Sim, tirando as observações dispensáveis, vale lembrar que o filme de Neil Jordan, cheio de vampiros de butique, é muito divertido. O clima gótico, Kirsten Dunst pirralha e em ótima atuação, o clima homo erótico entre os atores, o papel de Christian Slater, que seria de River Phoenix, mas que morreu pouco antes das filmagens - e é a ele que a produção é dedicada...

O filme, contando a história de vida de um vampiro melancólico, é bem superficial e cheio de pose, mas a direção do irlandês Neil Jordan é bastante hábil, e há bons momentos aqui, ou seja, o filme é bom. Mas o que mais me chama atenção é que se a mesma história fosse rodada hoje, ela não teria a metade do charme anos 90 que o filme tem – não me pergunte o que é isso, só sei que eu sinto falta. Sem falar que custaria bem mais caro, não teria um elenco desses (imagino Colin Farrel no lugar de Cruise ou Pitt, ou Dakota Faning no lugar de Dunst,brr...). Enfim, divago.

E vale ignorar o tal Rainha dos Condenados (2002), espécie de continuação desse aqui, e que de certa forma ilustra o que imaginei no parágrafo acima. O filme é um lixo, uma das piores sequências que eu já vi.

E o final de Entrevista é safado, mas inspirado.


O MELHOR: A direção de Jordan e o visual inspirado
O PIOR: A continuação horrorosa Rainha dos Condenados, que recebeu tratamento de filme B