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domingo, 9 de dezembro de 2007

Missão: Impossível ( ***1/2 )


Milionário, mas cheio de personalidade

Quando vi Missão:Impossível pela primeira vez, em VHS, há muito tempo atrás, era só mais uma super-produção com Tom Cruise, nada mais. O nome de Brian De Palma não queria dizer nada. O tempo passa. Qualquer dia desses, a ficha caiu. “Brian De Palma que dirigiu M:I...”. Achei isso curioso extraordinário, e bateu uma vontade cada vez maior de conferir o filme, que eu achava apenas mediano. Com o dvd em mãos, chega a hora de re-descobrir e ver e constatar que se trata de mais um divertido exemplar de De Palma, que funciona bem mesmo sendo um projeto encomendado.

A trama complicada, sem necessidade, e reflexo do confuso processo de roteirização do filme, como é mostrado nos extras do dvd, sempre foi apontado como um dos motivos da recepção morna que o filme obteve da crítica. Mas, mesmo trabalhando como pau mandado da produtora de Cruise, De Palma faz mais uma grande obra, com momentos deliciosos de criatividade visual, além um clima de espionagem nostálgico, ambientado numa Europa clássica.

Bom acerto é o elenco, que conta com o charme da francesa Emmanuelle Béart , em seu único filme americano até hoje, além de coadjuvantes de luxo confiáveis como Ving Rhames, Jon Voight , Kristin Scott Thomas e Vanessa Redgrave, em ótima participação, que elevam o tom da coisa toda, disfarçando um pouco a identidade de filme banal de verão.

Os cenários europeus conferem charme extra ao filme, e Cruise realmente escolheu o diretor certo pra dar ar meio Hitchcockiano ao filme, que sofre com o roteiro inane, mas oferece ao espectador pelo menos três seqüências sensacionais: a da explosão do aquário num restaurante, a da invasão da CIA, com Cruise pendurado numa sala que parece ter saído de 2001- Uma Odisséia no espaço, e que já foi imitada/parodiada em outros filmes como Shrek 2 e As Panteras; e o clímax no topo de um trem em alta velocidade. Esta última seuqencia tem efeitos especiais que não convencem muito, mas é tão bem orquestrada e editada que fecha a ação do filme com chave de ouro.

Apesar do roteiro que deixa a desejar, boas surpresas como as mortes inesperadas no começo do filme dão um ar de novidade e surpresa, indo além de uma mera reprodução do estilo do seriado original. Um filme que tem as marcas do seu grande diretor, e por isso deve envelhecer bem, ao contrário da maioria dos exemplares de ação dos anos 90.

Mission: Impossible / Brian De Palma / 1996 (2:35:1)

domingo, 22 de abril de 2007

Entrevista Com o Vampiro ( *** )

A Dança dos Vampiros

Hoje Tom Cruise perdeu muito do prestígio que tinha, afinal todo mundo já sabe das baboseiras que ele anda falando e fazendo em nome da Cientologia, aquela religião obscura que muitas celebridades de Hollywood adoram. Mas antes de falar e fazer besteiras em excesso, Cruise era o garoto símbolo de Hollywood, e cada filme seu era (e de certa forma ainda é) um evento. Fazendo um ou dois filmes por ano, a presença de Cruise na tela jamais era banalizada, e ele sabe como ninguém escolher um projeto.

É dessa fase saudável que vem Entrevista Com O Vampiro. A Warner apostou alto na adaptação de Anne Rice, mas se o nome de Cruise vem primeiro nos créditos, o astro aqui é Brad Pitt, na época em ascensão. De bônus, outro preferido das mulheres - e também decolando em Hollywood na época- Antonio Banderas.

Sim, tirando as observações dispensáveis, vale lembrar que o filme de Neil Jordan, cheio de vampiros de butique, é muito divertido. O clima gótico, Kirsten Dunst pirralha e em ótima atuação, o clima homo erótico entre os atores, o papel de Christian Slater, que seria de River Phoenix, mas que morreu pouco antes das filmagens - e é a ele que a produção é dedicada...

O filme, contando a história de vida de um vampiro melancólico, é bem superficial e cheio de pose, mas a direção do irlandês Neil Jordan é bastante hábil, e há bons momentos aqui, ou seja, o filme é bom. Mas o que mais me chama atenção é que se a mesma história fosse rodada hoje, ela não teria a metade do charme anos 90 que o filme tem – não me pergunte o que é isso, só sei que eu sinto falta. Sem falar que custaria bem mais caro, não teria um elenco desses (imagino Colin Farrel no lugar de Cruise ou Pitt, ou Dakota Faning no lugar de Dunst,brr...). Enfim, divago.

E vale ignorar o tal Rainha dos Condenados (2002), espécie de continuação desse aqui, e que de certa forma ilustra o que imaginei no parágrafo acima. O filme é um lixo, uma das piores sequências que eu já vi.

E o final de Entrevista é safado, mas inspirado.


O MELHOR: A direção de Jordan e o visual inspirado
O PIOR: A continuação horrorosa Rainha dos Condenados, que recebeu tratamento de filme B