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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Arraste-me Para O Inferno ( ** )


Quando a vida é um inferno

O lançamento Arraste-me Para O Inferno merece ser celebrado porque, aleluia, o Sam Raimi deu um tempo da série Homem Aranha (já desgastada em seu terceiro episódio) e voltou com força às raízes B do começo de sua carreira. Aqui, com a classe e a eloqüência moral de um episódio de Contos da Cripta, ele brinca com o terror gosmento, frenético e curiosamente hilário que marcou o início de sua carreira.

Toda vez que eu lia que este filme era uma mistura perfeita entre terror e comédia, botava pouca fé, pois em todo exemplar de terrir que eu já vi sempre o lado cômico predomina, e aqui não é diferente. Há momentos arrepiantes ocasionais e muitas cenas que assustam o espectador no grito, cheio de efeitos sonoros graves e repentinos.

Mas o mais interessante do roteiro, escrito por Raimi e seu irmão Ivan (a mesma dupla que escreveu o desastroso Homem-Aranha 3, mau sinal) são as beliscadas no espectador, com questões sobre ganância, solidariedade e falta de dinheiro, tópcos oportunos em tempos de crise econômica mundial. Melhor timing, impossível.

Começamos bem com o logotipo antigo da Universal, que foi exibido até a metade dos anos 1990 – vem podreira por aí, já fica claro. A certa altura, brinca-se de mandar os outros para o inferno, e é incrível que uma produção de espírito declaradamente tão B (também de besta) possa levantar mais questões e pensamentos interessantes do que muito filme sisudo que se vê por aí.

Raimi brinca com uma espécie de festival de terror oral e levado, com muita baba, gosma e insetos rondando os orifícios da protagonista, vivida pela carismática Alison Lohman. Há momentos que lembram um episódio de Pernalonga ou Pica Pau versão 18 anos, com embates físicos impagáveis, e sem nenhuma consequência real – pra resumir, arranhões no lugar de uma cadeira de rodas.

O filme brinca com convenções espíritas e contos de assombração, e a direção de arte é bastante boa. Os personagens são rasos, quando não caricatos, sem falar no desserviço sacana que é colocar todo personagem estrangeiro como exótico, nojento ou macumbeiro. É tudo muito autoconsciente e (auto) referencial – mais ou menos como o Planeta Terror de Robert Rodriguez, mas o resultado aqui soa mais original, embora o filme decepcione.

É Também coerente com as outras produções da produtora de horror de Raimi, a Ghost House: é irregular; por outro também é a melhor de todas lançadas pela grife até e agora, já que de lá só sai bomba, vide as franquias de baixa qualidade O Grito e O Pesadelo.

Pena que no final Raimi aposte em um desdobramento muito mais que óbvio, coerente com o que temos visto na carreira dele e com o tal espírito de cinema de horror de segunda, mas francamente sem graça e decepcionante. Um desfecho irritante que, caso raro, consegue estragar tudo o que vimos antes. Vá para o inferno Sam Raimi.

PSIU: O filme, o primeiro do cineasta em 9 anos fora do universo dos quadrinhos, seria estrelado pela Juno, vulgo Ellen Page. Foi substituída pela Lohman, por sinal muito parecida com ela, e que andava sumida das grandes produções e merecia um papel principal há muito tempo.

O MELHOR: o clima vagabundo e de vale tudo, fake, mas funcional

O PIOR: os efeitos especiais de quinta categoria e os desdobramentos cretinos do roteiro

Drag Me To Hell / Sam Raimi / 2009 (2:35:1)

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Homem - Aranha 3 ( *1/2 )


Precisando de um spa

Verão de bombas esse ano. A época mais colorida pra cinéfilos menos exigentes (olha o preconceito) vem se mostrando bastante decepcionante, mais do que o usual. Curiosamente, nunca os filmes renderam tanto, mas a qualidade ao que parece está sendo inversamente proporcional ao nível de arrecadação nas bilheterias. O público sai insatisfeito das sessões, mas respondem dando grana aos estúdios. Seria masoquismo?

Os erros de Homem- Aranha 3 são imperdoáveis, ainda mais lembrando do alto nível dos dois filmes anteriores da série, muito bem escritos e divertidos, com o segundo filme indo muito além do que qualquer um desses filmes atuais baseados em quadrinhos.

Esse aqui parece ter sido feito ás pressas pra estrear a tempo nessa temporada, com imenso cuidado na pós-produção, mas com um roteiro ridículo, e que deveria estar incompleto quando as câmeras começaram a rodar.

As coincidências absurdas são muitas, os personagens estão rasos e em excesso, os diálogos são babacas,há um desfile de atos incoerentes...disso tudo, não sei o que é pior. Há tanta gente em cena e conflitos aqui, e tão pouco espaço pra sustentar tudo isso, que o filme se torna flácido.

Mais infantil que os anteriores, também é o que faz mais concessão ao público, o que é um absurdo, afinal Sam Raimi teve o mérito de tornar o segundo capítulo um filme estranho e autoral , cheio de suas marcas. Tirando uma ou outra coisa bizarra e uma ou outra cena de gosma e insinuações de terror, este terceiro capítulo tem muito pouco do seu diretor, o que não deixa de ser irônico, afinal pela primeira vez Raimi assina oficialmente o roteiro do filme.

Ver Peter Parker dançando nas ruas e bancando o emo, por mais absurdo e destoante que seja, é um alívio, por que por bem ou por mal lembra a estranha originalidade que Raimi soube imprimir muito em aos filmes anteriores.

Extremamente decepcionante, não é um filme desagradável de se ver, mas está longe da qualidade esperada. Bryce Dallas Howard é uma ótima adição ao elenco, e aproveita muito bem o pouco que lhe dão. Mas os seus fãs não precisam se preocupar: mais continuações vêm aí, mesmo que com outro elenco principal. Isso nunca é bom, mas se acontecer, que voltem a se concentrar mais no roteiro e menos nas pirotecnias bobocas.

Ah, eu falei do final completamente patético? Nem o desenho que passava de manhã na Globo conseguiu ser tão absurdo e babaca.

Spider-Man 3 / Sam Raimi / 2007 / (2:35:1)

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Homem - Aranha ( *** )


O herói de todos nós

A febre Homem Aranha está previsivelmente em todos os lugares, ganhando muito dinheiro e fazendo a alegria de muita gente, deu então vontade de escrever alguma coisa –é,essa coisa pega.

O primeiro filme é bem bacana, o segundo vai muito além do que se poderia esperar de uma continuação, e o terceiro eu ainda não vi. Pelo o que eu andei ouvindo e lendo, não tem cara de ser grande coisa, então antes de talvez jogar minhas boas lembranças pela série na lama, registro aqui algo sobre o primeiro filme.

Raimi adapta de forma muito esperta o universo do herói, talvez o mais popular dos quadrinhos, mais até que Batman e Superman. Afinal, Peter Parker/Homem-Aranha é gente como a gente, cheio de problemas familiares, afetivos, empregos ruins e muitas contas pra pagar. A cara de tonto de Tobey Maguire ajuda muito, embora às vezes tenha-se a impressão que Peter sofra de síndrome de Down.

O vilão Duende Verde é um tanto chato mas funciona, a cena no Times Square émuito boa, e o filme segue burocrática e competentemente rumo ao embate final, com um ou outro toque inspirado – como a cena do beijo na chuva, já clássica.

Enfim, um filme com tudo no lugar certo, feito com muito dinheiro, e pra sorte de todos,muita inspiração também.

Curiosamente, o filme foi rodado em tela quadrada (1:85:1), algo que eu achei muito estranho, mesmo nessa época, em que eu não conhecia nem me interessava por essa questão de formatos de tela. Não sei por que Raimi escolheu esse tamanho, talvez por ser mais adequado a uma história vinda dos quadrinhos, ou talvez só para ser coerente com o clima e visual B(nesse caso aqui, B de bom, por que não foi nem um pouco barato, só em espírito) do filme- assim como ocorreu com o Guerra dos Mundos de Spielberg, que me chamou de vez a atenção para essa questão dos formatos.

Hum, esse texto me deu uma vontade de rever Hulk...

Spider-Man / Sam Raimi / 2002 / (1:85:1)