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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A Bússola de Ouro ( * )


Algum figurante: Lyra, pegue essa bússola, err, de ouro, que ninguém entende ou sabe usar, mas como você é a guria fodona do filme com certeza vai saber. Aí, depois você vai com a Nicole Kidman para hsuhsuaudsua fazer não sei o que mesmo, nem eu entendi. Aí depois você foge e é salva por uns figurantes vestidos de cigano, e depois vai atrás de um urso polar falante que tem a voz do Gandalf. Você precisa convencê-lo a te levar até Ghauysgaujhaukaka pra resgatar as crianças e seus dimons(???), por que senão elas vão virar Juaghusagagsdfdvazkao. Ah, não esqueça que você, apesar de irritante e fraca como atriz, é a protagonista do filme, e que a Nicole Kidman, o Daniel Craig e a Eva Green não aparecem nem dez minutos no filme todo. Também não se esqueça de que, quem não leu o livro no qual nosso filme se baseou não vai entender bulhufas do que está acontecendo, e não é a gente que vai se preocupar em explicar né, afinal temos muitos efeitos especiais de primeira para tapear a galera. O filme também tem que ter menos de duas horas, pra ter muitas sessões por dia, e o final vai ter que conter um gancho para continuações. Tudo entendido?


Lyra:
Ok. Beijos.


Obs 1: Bomba de 2007?

Obs 2: Custou uns cem yachts, mas foi um fracasso nas bilheterias, amém.

Obs 3: Ainda estou em dúvida se este é pior que As Crônicas de Nárnia.

The Golden Compass / Chris Weitz / 2007 (2:35:1)

domingo, 22 de abril de 2007

O Massacre da Serra Elétrica: O Início ( *1/2 )


Mais um pra lixeira
Não ia nem escrever sobre este aqui, mas vendo esse festival de horror, no mau sentido, fiquei curioso sobre o que leva tanta a gente a se envolver em um produto tão gratuito e inócuo, violento em excesso só por não ter a capacidade de ser algo a mais. Bom, por outro lado eu gastei duas horas da minha vendo isso, então talvez tal indagação seja contraditória, mas enfim...

O que mais me incomodou nesse prequel (ou seja, conta eventos que se passam antes do primeiro filme) do remake (quantos títulos...) do Massacre da Serra Elétrica não é só o cheiro de carne podre, mas a total falta de criatividade, tão presente nos filmes de terror. O esquema é praticamente o mesmo da produção de 2003, que era melhor e divertia, sem tirar nem pôr, com uma ou outra variação, pra justificar o trabalho do roteirista.

Mas o plot em si já é imbecil e estraga o que havia de melhor sobre os filmes anteriores da franquia (considerando apenas o original e o remake, os únicos que eu vi. As continuações oitentistas e afins têm cara de lixo), ou seja, o mistério e a insanidade em torno daquela família de canibais. Se um personagens não tem os dentes da frente, se outro é louco e adora arrancar o rosto de suas vítimas e se mais outro não tem as pernas, tudo será explicado aqui, respondendo questões que não precisam de respostas. E tudo tratado como se fosse uma sacada de gênio.

Sobram os sustos básicos de sempre, os mesmos coadjuvantes que sofrem mais uqe os protagonistas, sangue pra tudo o que é lado, e atores como R. Lee Ermey, que um dia trabalhou com Stanley Kubrick, pagando mico em papéis ridículos. Filme forçado e dispensável.

OBS: Não entendi por que esse não passou nos cinemas brasileiros, mesmo tendo sido fracasso nas bilheterias americanas,a julgar pela quantidade de porcarias de quinta que estréiam toda semana no país.

O MELHOR: alguns sustos safados, mas que funcionam
O PIOR: o mau gosto de tudo, e o roteiro retardado

sábado, 17 de março de 2007

Babel ( *1/2)


Corra que os mexicanos vêm aí

Babel guarda muitas semelhanças com Crash- No Limite. Se a bomba do americano Paul Haggis conta uma só história com personagens diversos que se cruzam, latem uns pros outros e depois choram que nem bebês no final, o mexicano Alejandro González Iñárritu mostra três histórias em que as ações de um personagem afetam outro alguém, não importa a distância física entre as pessoas. E todos choram que nem bebês no final.

Ambos também pertencem ao gênero gente idiota fazendo coisas estúpidas, o que na verdade não passa de um amontoado de crateras e absurdos imensos em seus determinados roteiros, falhas que infelizmente o público engole direitinho.

Haggis e o mexicano Guilermo Arriaga devem ter freqüentando a mesma escola de escrita, a julgar pela semelhança dos artifícios de manipulação contidos nos roteiros dos dois. Só que se em Crash tudo era brega e descontrolado, em Babel o nível é um pouco melhor . Tirando a absurda historieta que se passa no México, as ambientadas no Marrocos e- principalmente - no Japão funcionam bem, com um ou outro defeito. Só que isso aqui não é uma coletânea de curtas, então tudo vai por água abaixo. A ligação entre as três ações beira o absurdo.

O que mais choca nesse filme é que basicamente se trata de gente muito burra do terceiro mundo ferrando os desenvolvidos. E o filme é dirigido por um mexicano, vê se pode...

Técnicamente Babel é muito bom, o elenco está bem, a música é ok, mas o roteiro é uma lástima- sisudo, equivocado e cheio de si.


Vale pelo elenco e pela última cena, belíssima. Mas não se engane, bom isso aqui não é.
Babel / Alejandro González Iñárritu / 2006 / (1:85:1)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

A Dama na Água ( * )


Depois que colocou na cabeça que era uma espécie de Steven Spielberg com genes de Hitchcock, M. Night Shyamalan foi ao espaço e aparentemente ainda está em órbita . Os seus dois últimos filmes definitivamente não têm os pés no chão, e isso não é bom.

Até agora só vi A Vila e A Dama na Água uma vez cada, no cinema, sem uma merecida revisão em dvd. Mas creio que não vou mudar muito de idéia, penso que são obras com pontos interessantes mas extremamente falhas.

A Vila, com aquele final presunçoso que conquistou muita gente, foi uma grande decepção para mim. Senti uns arrepios na espinha durante a projeção, infelizmente bem menos do que o esperado, e me manteve interessado, até a Bryce Dallas Howard descobrir uma ou duas coisas que levam o filme a um rumo que eu achei extremamente forçado e bizarro, que quer dizer algo sobre o mundo de hoje, mas que acaba dizendo apenas como o seu diretor viaja demais. Regular.

Já com A Dama na Água o diretor perde o controle de uma vez. Ver esse filme foi quase uma tortura.Que diabos de roteiro é esse? Não falo da história em si, mas do texto absurdo e sem lógica, que tem a cara de pau de implorar de forma bem direta “que as pessoas acreditem na história”, ou algo do tipo. Os filmes de Shyamalan sempre têm um ou outro furo , mas aqui já é demais. Quem consegue se encantar com o clima de fábula que o diretor tenta construir aceita os absurdos que são despejados na tela. Eu não.

Faltou uma história consistente, faltou encanto de verdade. Não vou nem reclamar dos sustos cretinos que não funcionam, ou do crítico de cinema rabugento, personagem ridículo , ou nem mesmo do próprio diretor atuando, uma lástima. Mas sim da desfaçatez da coisa toda, um samba do indiano doido capaz de arruinar a boa vontade que se tem com os filmes anteriores de Shyamalan.

Uma grande decepção, afinal é uma sinopse que tem potencial. O elenco é bom, mas as atuações são pífias. O cenário da históra – o condomínio com aquela piscinona no meio – é até bem aproveitado e é uma das poucas coisas que funcionam. Ao que parece Shyamalan contou com pouco dinheiro aqui, a jullgar pelo acabamento dos efeitos especiais. Enfim, uma obra perdida, não terminada, que tiraram do papel e resultou nesse filme capenga e autoindulgente.


Muita gente gosta, e até entendo o por que. Mas os artifícios que o diretor usou aqui não foram suficientes para que eu fizesse vista grossa para os muitos defeitos da obra.