segunda-feira, 12 de maio de 2008

Homem de Ferro ( *** )


Sou de ferro, mas tô na moda

Mais uma adaptação de história em quadrinhos, Homem de Ferro esgota o time classe A de heróis Marvel nas telonas – Capitão América vem aí,mas quem se importa? Produção atípica por investir tanto e tão forte no seu protagonista, o ex-garoto problema Robert Downey Jr., Homem de Ferro é uma falsa obra despretensiosa, pesada como chumbo, mas tolerável enquanto dura.

Falsamente despretensiosa por que investe numa história sem grandes possibilidades, mas disfarça bem a falta do que abordar. O filme é resumido à construção de armas, seja na forma de mísseis ou na forma de armaduras estilosas, que fazem voar. Parece muito menos sobre salvar vidas e evitar guerras do que sobre ser um grande designer. Artistas gráficos, figurinistas e afins vão amar.

Mas temos o lado bom, é claro. O que mais chama atenção neste aqui é a forma como, do marketing ao roteiro, os personagens/atores são privilegiados, e em vez de escalar jovens atores inanes, houve investimento pesado na contratação de um quarteto de ganhadores e vencedores do Oscar. Curioso.

Analisando, Downey realmente está divertido e sarcástico na medida certa, e prova que quando grandes produções como essa investem em escolhas inusitadas (Tobey Maguire em Homem-Aranha, Hugh Jackman em X-Men) geralmente dá certo. Terrence Howard é aqui um coadjuvante de luxo, Jeff Bridges está excelente como sempre, mas também irreconhecível, e Gwyneth Paltrow pega uma personagem simpática e agradável como poucos papéis que ela já fez antes. Não convence muito, afinal ela sempre parece estar simulando uma persona agradável e leve que não lhe pertence, e nunca sabemos se sua personagem é burra ou somente atrapalhada, senão ambos, mas nada que comprometa.

No mais uma história com uma moral tão boba que não engana nem criança de dez anos, quanto mais o público mais velho que deve estar indo ver este filme, atraído pela suposta credibilidade que o tal elenco premiado traz.

Os efeitos especiais são incríveis e funcionam justamente por não parecerem efeitos especiais. Se a direção do também ator Jon Favreau (que interpreta o motorista do herói) é apenas funcional, sem querer impor estilo (o que parece ser uma regra neste tipo de franquia, embora ninguém tenha avisado isso ao Ang Lee na época de Hulk), o Homem de Ferro resulta num blockbuster tímido, que não faz muito barulho, mas é inofensivo enquanto dura.


Iron Man / Jon Favreau / 2008 / (2:35:1)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Filmes de Abril de 2008


1. Traídos pelo Desejo ****

2. A Sombra de uma Dúvida ****1/2

3. Alien: A Ressurreição ***1/2

4. O Caçador de Pipas **1/2

5. Juno **1/2

6. Batman **1/2

7. Aliens – O Resgate ***

8. Intriga Internacional ***

9. Volver *****

10. Ponto de Vista *1/2

11. Kika ***1/2

12. Melinda e Melinda **1/2

13. Ed Wood ****

14. Edward Mãos-de-Tesoura ***1/2

15. Sabor da Paixão ***1/2

16. Nos Bastidores da Notícia ****

17. O Labirinto do Fauno ***1/2

18. Marte Ataca ***

19. Despedida em Las Vegas ****

20. Amor à Flor-da-Pele ***1/2

21. Medo **

22. Jumper **1/2

23. Stardust – O Mistério da Estrela **1/2

24. Sem Reservas **1/2

25. A Família Savage ***

26. Leões e Cordeiros ***

27. Alien – O Oitavo Passageiro ***

28. Homem de Ferro ***

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Juno ( **1/2 )


Ela é independente.

Não gostar muito de filmes como Juno, que quase todo mundo ama, acha lindo e o escambau, é sinal de rabugentice? Talvez, mas não posso ir contra a minha natureza e forçar gostar de algo que, com boa vontade, achei apenas razoável.

Dá pra entender perfeitamente por que foi (e ainda é) um grande fenômeno de bilheteria, virou moda e etc, mas este aqui sofre com aqueles velhos vícios de cinema independente fofo americano, e não há como não se incomodar com isso. Dessa fábrica, o produto que mais me irritou até hoje foi o tal do Hora de Voltar, filme que achei um horror, mas que ganhou fãs por esse mundão afora.

Os diálogos espertalhões, estilizados demais, algumas atuações inanes, e um visual seco que depõe contra toda a graciosidade pré-programada do filme são pontos que incomodam. Não é legal quando você vê um filme e não acredita na metade das coisas que estão acontecendo e sendo ditas. Claro, o roteirista escreve o que quiser, mas não dá pra abrir a mente sempre em filmes que, supostamente, têm o pé no chão e se passam no mundo real.

Outra coisa desagradável é a trilha sonora, cheia de baladinhas repetitivas e idiotas, que irritam mais do que agradam. A trilha fez muito sucesso e está vendendo muito, é claro.

Curioso que, neste filme e nos dois últimos vencedores do Oscar de roteiro original, é justamente o script que me interessa em ver o filme e me decepciona no final. Crash, Pequena Miss Sunshine e este Juno são três filmes que sofreram pra chegar nas telas, foram feitos pelo preço de duas marias-moles, e viraram mania de bilheteria. Mas são pontos de partida excelentes que resultaram em fitas artificiais e com estrutura forçada – e o filme de Paul Haggis ainda tem o mérito de ser mal dirigido e porcamente atuado. Com sorte, saem filmes divertidos, como o da Kombi amarela.

Mas sejamos sinceros, o filme está longe do desastre. O texto da precocemente cultuada Diablo Cody ganha pontos justamente por não tratar a sua protagonista a pão–de-ló, já que é julgada por boa parte dos outros personagens do filme, e por trazer observações pertinentes sobre casamento, paternidade, vida escolar e outras instituições. Só faltou ser menos afetado.

Mas o que eu quero dizer é que, pena, que filmes tão premiados pelos seus roteiros tenham histórias, diálogos e situações tão malandros, deixando filmes melhores, mais bem escritos e honestos em segunda mão. É a vitória do conceito sobre a qualidade, e valorizar tal tipo de filme pra mim é algo muito perigoso.

Obs: O que é essa Academia de Hollywood hein? Até agora não entendi como o Jason Reitman foi indicado ao Oscar de direção, deixando para trás David Cronenberg, Tim Burton e o Joe Wright. Que mico.

Obs 2: Este foi o primeiro filme que eu vi primeiro no computador e depois nos cinemas. Experiência interessante, e no telão,por motivos óbvios, é bem melhor. Mas, curioso que a legenda “pirata” seja muito mais bem feita e fiel aos diálogos em inglês do que a legenda oficial, que está nas cópias do cinema.


Juno / Jason Reitman / 2007 / (1:85:1)

terça-feira, 1 de abril de 2008

Filmes de Março de 2008


1. Motoqueiros Selvagens **

2. O Exorcista – Versão do Diretor ****

3. Filadélfia ***

4. Premonições *1/2

5. Meu Nome Não É Johnny **1/2

6. Prenda-me Se For Capaz ***

7. 10,000 a.C **

8. The Bad Seed **1/2

9. Fargo ***1/2

10. Peter Pan ***

11. Beleza Roubada ***1/2

12. Não Por Acaso **1/2

13. Tudo Sobre Minha Mãe *****

14. Marnie – Confissões de uma Ladra *****

15. Ela é o Cara **1/2

16. Barton Fink ****1/2

17. Horror em Amityville (2005) **

18. Sexta-feira Muito Louca (2003) ***

19. Maria- Antonieta **

20. Horton e o Mundo dos Quem **1/2

21. Invasores **1/2

22. Psicose ****1/2

23. True Lies ***1/2

24. Quem Vai Ficar Com Mary? ***1/2

25. A Identidade Bourne **1/2

26. A Supremacia Bourne ***1/2

27. Sexo, Amor e Traição **

28. O Piano ****

29. Poltergeist – O Fenômeno ***1/2

30. Quase um Segredo ***

31. Drácula de Bram Stoker ***1/2

segunda-feira, 31 de março de 2008

"Mirar no longo prazo pode doer um pouco"


Saiu na Veja uma entrevista, feita pela Isabela Boscov, com a sempre maravilhosa Jodie Foster. Aqui vai:

Você já disparou tiros em seus filmes antes, mas sempre em resposta a uma agressão, e não como a agressora, como é o caso em Valente. Era algo que você evitava?
Não, de maneira nenhuma – apenas era algo que nenhuma personagem havia exigido até aqui. Valente é sobre uma mulher civilizada que sofre um ataque brutal, e sobre como ela muda em reação a essa violência. É menos sobre armas do que sobre moralidade – um tema que está presente em muitos dos filmes que fiz. Quanto mais velha eu fico, mais o tema me interessa, e mais complicado parece. Quando eu era jovem, achava que gente boa era uma coisa e gente má, outra. Hoje...

Você concorda com o caminho que sua personagem toma, de se tornar uma justiceira?
Nem eu nem o filme concordamos com a personagem. Aliás, nem ela concorda consigo mesma. Ela tem consciência de que tomou um rumo que nunca, nem nos seus piores pesadelos, imaginava ser capaz de tomar. O que a divide é que, embora ela se encha de vergonha cada vez que aperta o gatilho, essa é também uma afirmação do desejo dela de viver após a violência que atravessou.

Você se imagina em situação semelhante?
Levo uma vida muito comum e reservada, e talvez goste de papéis assim porque eles me dão a oportunidade de confrontar sentimentos que eu, pessoalmente, não sou corajosa o bastante para enfrentar. Isso é o que há de mais instigante num filme como esse, em que é preciso estar dentro da personagem, queira-se ou não, e respirar, andar e pensar como ela: obrigar-se a compreender o incompreensível.

Qual sua opinião sobre o controle de armas?
Não gosto de me aproveitar do meu trabalho para falar de política. Só o que posso dizer é que a visão de Valente é bastante clara: uma arma de fogo é um instrumento que confere a um indivíduo um poder além do razoável.

Você tem a carreira que muitas atrizes gostariam de ter. Como a construiu?
Sei lá, esse é um trabalho tão estranho, em que é difícil planejar uma direção ou se preservar da instabilidade e da exposição. Acho que minha mãe foi uma influência decisiva: ela queria que eu fosse levada a sério e me ensinou a me levar a sério também. Eu nunca fui a que mais ganha, ou a que é sempre a primeira a ser escolhida. Mirar no longo prazo pode doer um pouco mesmo. Mas eu queria durar – e não desaparecer, como infelizmente acontece com tantos jovens atores.

Você nunca fez o papel da mocinha ingênua ou romântica.
Olhe que até fiz muitos testes para esses papéis, mas fui reprovada em todos. Com o tempo, você percebe a razão das rejeições: há coisas que eu faço bem, e outras em que não convenço.

Desde pequena, o dinheiro que você trazia para casa como atriz era fundamental para sua mãe e seus irmãos. Foi difícil virar arrimo de família assim tão cedo?
Imagino que isso tenha condicionado de várias formas o desenvolvimento da minha personalidade. Por exemplo, aprendi muito antes dos outros o conceito de que ações têm conseqüências. É bom ser criança? Sim, mas viajar pelo mundo, descobrir um talento e ser levada a sério pelos adultos também é bom. As coisas são como são, e eu me considero uma pessoa até bem ajustada, sem ressentimentos.