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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Caninos murchos (O Lobisomem, Amaldiçoados, Lua Nova)


O Lobisomem é desconcertante porque parece que tem tudo no lugar, mas nada funciona. Em dois minutos de filme você descobre que lá vem bomba, depois daquela abertura chocha, antes do título do filme.O elenco é bom (Benicio Del Toro é perfeito para o papel), a fotografia e a direção de artesão, belíssimas (tanto que nem as óbvias intervenções digitais atrapalham) e a maquiagem do protagonista, embora esteja mais pra Chewbacca do que para um monstro assustador, é uma bela homenagem ao clássico da Universal. Mas dinheiro não compra talento (risos) e o filme, cheio de truques irritantes de edição, não comove, diverte ou assusta. O ritmo corre contra o tempo, parece que não houve espaço para desenvolver as sequencias ou construir uma relação mais inspirada entre os personagens.

Não é exatamente uma bomba,mas é um filme totalmente sem clima - bom, até Van Helsing - O Caçador de Monstros, tem mais atmosfera do que esse aqui. Nos créditos, uma parte do mistério é desvendada: o roteiro final foi creditado a Andrew Kevin Walker (que escreveu A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, cujo ponto mais fraco era justamente o texto) e a David Self, que foi responsável pelo roteiro de A Casa Amaldiçoada (The Haunting, 1999), outra pérola de grande orçamento e lindo visual, mas de resultado nulo.
O filme ia ser dirigido pelo Mark Romanek, que se demitiu (ou foi demitido), e ficou mais de um ano em montagem. A trilha sonora, intrusiva e óbvia, ficou a cargo do Danny Elfman, o que é um choque, esperava mais ( houve problemas de bastidores neste setor também).

Amaldiçoados , do Wes Craven, é uma bela surpresa. Teve uma produção tão ou mais problemática que a de O Lobisomem, e assim como no filme comentado acima, os problemas refletem no resultado. Mas o clime Bzão, o bom elenco (que conta com os meus favoritos Jesse Eisenberg e Judy Greer),e até mesmo os efeitos especiais muito ruins (e pensar que o nome do maquiador Rick Baker está nos créditos...) contribuem em favor ao clima de vagabundagem do filme, que é muito engraçado e nada assustador. E nunca fale mal da aparência de um lobisomem (engasguei de tanto rir nesta cena, genial).


Por fim, A Saga Crepúsculo: Lua Nova é aquele filme frouxo que, apesar de ruim, diverte, até chegar ao final constragedor. Os lobisomens aqui são menos toscos do que o trailer do filme apontava, mas não passam de lobos fofinhos. Até a suposta crueldade do filme (no final, com os turistas atacados na Itália) soa pré-fabricada, como se fossse resultado de uma pesquisa no Google.com ("o que podemos acrescentar para soar cruel e violento?"). O visual é bom e, pasmem, a direção do Chris Weitz (vindo da bomba A Bússola Dourada) até funciona, mas o material original é muito ruim.
E, na última cena do filme, fica explicitado o que eu já desconfiava: tanto frufru, bichinhos, mortes e o escambau, são apenas uma ponte para a mocinha de Stephanie Meyer realizar o seu desejo: ser pedida em casamento. Afinal, o que as mulheres querem mesmo, até as candidatas à vampira, é pilotar um fogão e servir ao seu macho. Bela lição para as meninas, né?

Amaldiçoados (Cursed, 2005) de Wes Craven ***
A Saga Crepúsculo: Lua Nova
(
New Moon, 2009) de Chris Weitz *
O Lobisomem
(
The Wolfman, 2010) de Joe Johnston *

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Brüno ( *** )


Existe vida pós-Borat

Wundebar!Finalmente matei a curiosidade e conferi Brüno. Depois da intensa campanha de marketing, fruto da dedicação extrema de Sacha Baron Cohen na divulgação de seus veículos, parece que sobrou pouca coisa inédita para ser extraída do filme, mas há boas surpresas lá. Excetuando-se o fato de que tem a mesmíssima estrutura do ótimo Borat e, como o filme de 2006, parecer um tresloucado especial de TV a cabo e ser francamente irregular, achei este filme um jóia.

Se no filme de 2006 atacava-se a miopia norte-americana/ocidental quanto ao relacionamento com o diferente, a nova metralhadora giratória do comediante inglês mira no mundinho escroto da moda, nas contradições e superficialidade das celebridades e no preconceito contra os gays e negros.

Brüno, apresentador de TV austríaco de declarados 19 anos, e idade mental de 6, acaba virando reflexo de muita gente superficial solta por aí no mundo de entretenimento, e Cohen escolhe Los Angeles para ser o epicentro do seu ataque feroz, ousado e muito bem humorado sobre o mundo perigoso e tosco em que estamos mergulhados.

O filme parece uma colagem de quadros ousados e pegadinhas, editados em um ritmo frenético e mais bem resolvido do que o de Borat, investindo numa quantidade inédita de grosseria, mesmo para as comédias absurdas de Hollywood. Quem sobreviver aos primeiros minutos de Brüno agüenta qualquer coisa. Aqui a nudez e as piadas de borracheiro não são apresentadas em um tom jocoso ou inseridas em uma estrutura de ficção corriqueira, mas sim num tom de documentário que acaba causando uma certa estranheza e, logo atrás, um pouco de incômodo.

A produção vira uma salada mista. Cenas chocantes, com piadas visuais que não são vistas comumente em filmes de grandes estúdios, dividem espaços com momentos ácidos, ora encenados ora frutos das armações do comediante, e mais uma vez não fica lá muito claro o que é encenação e o que é fruto da espontaneidade,lembrando-se que estão diante das câmeras, das pessoas envolvidas.

Parece que coragem é apalavra chave aqui, pois Cohen mexe em vespeiros, que vão de entrevistas provocadoras com terroristas em territórios de conflitos religiosos ao registro em filme de várias insinuações de sites de fofoca. Chamar Mel Gibson de nazista ou John Travolta, Tom Cruise e Kevin Spacey de gays enrustidos numa produção cara da Universal Pictures definitivamente não é uma coisa que se vê todo dia.

PSIU: O hilário subtítulo Delicious Journeys Through America for the Purpose of Making Heterosexual Males Visibly Uncomfortable in the Presence of a Gay Foreigner in a Mesh T- Shirt era apenas mais uma piada da campanha de marketing, e não está presente na película.

O MELHOR: o tom ácido, absurdo e contundente

O PIOR: nem todas as piadas funcionam.

Brüno / Larry Charles / 2008 / 2009 (1:85:1)