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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tá Rindo Do Quê? ( *** )

Um drama de Judd Apatow

O mais novo filme de um dos nomes mais celebrados de Hollywood nesta década, Tá Rindo do Quê? traz novamente o que vimos de melhor nos dois primeiros filmes dirigidos por Judd Apatow. Temos aqui as ótimas sacadas, as doses de ironia que não poupam ninguém do mundinho hollywoodiano, a participação de amigos muitos especiais e um jeito grosseiro, mas bastante hilário, de abordar várias questões delicadas e pertinentes. Mas pode ser um problema para muitos que este Funny People não seja tão, aí aparece a ironia, tão engraçado quanto o excepcional O Virgem de 40 Anos e o muito bom Ligeiramente Grávidos.

Adam Sandler interpreta George Simmons, um comediante milionário que começou a carreira de forma modesta em números de stand up e que atualmente ganha a vida fazendo comédias ridículas, que sempre estouram nas bilheterias – qualquer semelhança coma carreira do lado de cá do Adam Sandler é mera coincidência, ok?

George, que distribui autógrafos amigavelmente e trata bem o seu público, é um cara amargo, arrogante e pedante, que não mantém contato com a família e provavelmente não sabe o nome de nenhum dos seus empregados. Arrasado ao descobrir que desenvolveu uma doença terminal, ele passa a freqüentar novamente os clubes de stand up, em shows amargos e pessimistas – mas com uma plateia tão viciada e deslumbrada que, mesmo quando é insultada, bate palmas entusiasmadas para o cara.

É num desses shows que ele conhece o personagem de Seth Rogen, um comediante quebrado, que mora de favor em um sofá na casa de amigos, e que ao tornar-se secretario pessoal do astro moribundo começa a ver que o mundo dos comediantes não é nem um pouco leve - e Simmons, uma figura desagradável, pode ser ele amanhã. Uma perspectiva nada otimista. A aproximação de uma antiga namorada (Leslie Mann, esposa de Apatow) é uma das tentativas de George de mudar algumas coisas em sua vida antes que ele morra. Os desdobramentos são impagáveis.

O curioso deste filme é que, além de contornar os clichês daquele tipo de filme em que o protagonista descobre que vai bater a s botas em pouco tempo, é que o roteiro de Apatow não pega leve em sua crítica ferina. Apesar de Adam Sandler ser conhecido na “vida real” como um cara camarada e generoso, e não ficar o tempo todo mergulhado em produções esquecíveis (títulos como Embriagado de Amor e Espanglês não nos deixam mentir) parece haver muito dele em George Simmons, e o fato de Sandler estar ótimo no papel ajuda ainda mais a reforçar esta impressão.

As piadas estilo Apatow estão em abundância aqui, mas em um clima menos esfuziante. Ainda mais do que em seu último trabalho na direção, o cineasta parece querer investigar os dramas de gente como a gente e acaba fazendo, curiosamente, mais uma produção filiada ao que tem sido chamada de bromances, aquelas histórias que estruturalmente lembram um romance, mas que são protagonizadas por homens – o divertido Eu Te Amo, Cara, protagonizado por vários amigos de Apatow, é o exemplo máximo desse subgênero.

Como em Virgem e Grávidos, a fauna de coadjuvantes aqui é sensacional, e a trilha sonora outro arraso – fãs de Wilco irão ao delírio em uma ótima cena. Mas não dá pra evitar pensar que em apenas seu terceiro filme – marco bastante destacado no cartaz de divulgação americano – Tá Rindo do Quê? já mostra um cineasta evoluído que, continuando fiel ao seu estilo proposto desde o começo, começa a apostar em um tom mais sóbrio e complexo. O que vem por aí?

PSIU: Uma produção cara bancada por dois dos maiores estúdios de Hollywood (Universal e Sony), estrelada por um dos astros mais caros do mundo (Sandler, claro), dirigida por um dos cineastas americanos mais originais dos últimos anos e com uma equipe técnica classe A (só para exemplificar, o Diretor de Fotografia aqui é o Janusz Kaminski, o fotógrafo “oficial” de Steven Spielberg, que só colabora com outros diretores quando Spielberg está de folga) tem tudo para ser um grande sucesso de bilheteria, certo?Não.

Funny People não foi um estouro de bilheteria na América do Norte e vai ser lançado no Brasil direto em DVD em janeiro, após a estreia, marcada para o mês passado, ter sido cancelada. Não é a primeira vez que isso acontece com Sandler, vide Golpe Baixo, lançado pela Paramount diretamente no mercado doméstico. Mas se neste filme o tema (futebol americano) pode ser uma justificativa aceitável para a ausência do filme nas salas brasileiras, o “fracasso” comercial de Tá Rindo do Quê? lá em cima parece não justificar muito a sua ida sem escalas para as videolocadoras. É uma equação complicada. No Brasil os direitos de distribuição pertencem a Universal, a mesma que colocou recentemente nas salas nacionais as novas obras de Ang Lee, Pedro Almódovar e Quentin Tarantino, bastante autorais, mas nem por isso menos comerciais.

Sem falar que os comediantes solos nunca foram tão populares no Brasil, o que poderia despertar interesse por este filme, que mostra os bastidores deste mundo. Outra excelente produção da turma do Apatow, Ressaca de Amor, também foi direto pra DVD no ano passado, mas o inferior, embora bem bom, Eu Te Amo, Cara passou nos cinemas. Então, quais são os critérios?

Funny People / Judd Apatow / 2009 / (1.85:1)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dez de 2005

Marcas da Violência

David Cronenberg transforma um roteiro que poderia resultar em um bom SuperCine em um filme excepcional, estranho, excitante, lindamente filmado e espertamente enxuto, que ainda nos diz uma ou duas coisas sobre os instintos do bicho humano. E o que é aquele final?

O Segredo de Brockeback Mountain

Romântico sem ser piegas; melancólico, mas sem emoções baratas. O grande Ang Lee passeia pela América rural e sufocante numa história de amor e tesão reprimidos, mentiras sinceras e a falta de coragem para assumir a vida que se quer ter, além dos sacrifícios que se fazem pela família. Como se tudo isso não bastasse, cada característica do filme, das atuações a trilha sonora, é maravilhosa. E não se enganem: não é o Coringa, mas sim o Ennis Del Mar,a atuação definitiva do falecido Heath Ledger.

A Lula e a Baleia

Não é preciso sentir uma identificação pessoal para apreciar um filme, mas quando isso acontece é realmente um acontecimento gratificante. Retrato ao mesmo tempo ácido e afetuoso de um período muito especial e confuso da vida, Noah Baumbach mostra que não é mesmo fácil ser pai, mãe, irmão...e filho.Família, família...

Orgulho & Preconceito

Quando li que o excelente romance de Jane Austen ganharia mais uma adaptação, fiz cara feia. Eis que num domingo vou ao cinema assistir esta versão feita pelo estreante em cinema Joe Wright e saio com um sorriso estampado no rosto. Difícil escolher o que é melhor: a esperteza e o otimismo de Austen, ou o visual e a energia contagiante trazida pelo diretor. Trilha sonora de arrepiar de tão bela.

O Virgem de 40 Anos

Mais um caso de um ótimo diretor revelado ao mundo em um filme que foi uma grata surpresa. Muito obrigado Judd Apatow. Steve Carell, você é genial. Agora fica a dúvida: qual destes dois, também roteiristas, teve a ideia sensacional de encerrar o filme homenageando/escrachando com Hair?

Caché

Meu primeiro contato com Michael Haneke. Impressionante, e me fez pensar: preciso ver tudo o que esse cara já fez. Mas não sei se tenho coragem.

Ponto Final

Woody Allen acordando com pouco bom humor- e gostando disso. Gosto da Scarlett Johansson, mas é inevitável pensar em como esse filme seria com a Kate Winslet, que desistiu do papel. Deixa um gosto amargo na boca, e talvez seja esquemático demais. Mas quem disse que isso não é intencional?

O Novo Mundo

Hipnose sensorial by Terrence Malick. Quando chegar a madrugada, me passe umas cervejas e aperte o play.

Eu, Você e Todos Nós

Miranda July, precisamos de um novo filme seu. Admito que alguns desdobramentos deste aqui não me agradaram muito, mas é um filme tão esperto, doce e interessante que é difícil não gostar. Independente sem ranço.

Transamérica


Ser uma coisa e querer ser outra, de tal modo que viver pode até ser um martírio. E enfrentar o passado, com todas as dores que isso possa causar. Embora o tema evidente seja o transsexualismo, sem enfeites, de forma direta e sem dourar a pílula, não deixo de pensar que o filme de Duncan Tucker, muito divertido, cruel e cativante ao mesmo tempo, funcione como uma bela ode ao anticonformismo. Vai doer?Vai. Mas antes isso do que ficar parado.

Também gostei de: Cidade Baixa, Amor em Jogo, A Prova, King Kong, De Tanto Bater o Meu Coração Parou, Guerra dos Mundos, A Outra Face da Raiva, Batman Begins, A Noiva Cadáver, Por Conta do Destino, O Mundo de Jack & Rose.

Ainda não vi, mas sinto que posso gostar de: Meu Amor de Verão, Reis e Rainha, Mal dos Trópicos, Boa Noite e Boa Sorte, Junebug, 2046, Wallace & Gromit em A Batalha dos Vegetais, O Castelo Animado, Impulsividade.