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quinta-feira, 5 de abril de 2007

300 ( ** )


Os sarados contra os feiosos


Mais um épico ambicioso chegando aos cinemas, 300 tem na direção um forte candidato a diretor cult, Zach Snyder, que ganhou muitos fãs pelo seu razoável remake de Madrugada dos Mortos, deve estar ganhando mais por este aqui, e vai ganhar mais ainda pelo vindouro Watchmen.

300 é quase um irmão de Sin City, por ambos serem crias do quadrinista Frank Miller, por usarem as mesmas técnicas de filmagens e também pela afetação e exagero do produto final.

A duração desse aqui não é um problema, como acontecia na obra de Robert Rodriguez. É mais curto e passa rápido, sem maiores problemas – em Sin City, eu implorei pro filme acabar logo, anestesiado por tanta violência vazia e estilização excessiva. O filme de Snyder é mais controlado e não se apóia tanto na ambientação de mentirinha. Os efeitos são mais convincentes e a encenação flui melhor, mas há graves problemas.

O roteiro de 300 é muito preso a graphic novel que deu origem a tudo. Uma narração extremamente enfadonha, que muitas vezes narra o que se passa na tela. E o filme ainda credita três roteiristas-nenhum dos três percebeu isso?

O elenco no geral é razoável, mas em muitas cenas se confunde atuação com gritos de jogos de futebol. Rodrigo Santoro, coitado, tem um papel ridículo, um imperador que não faria feio numa boite de travestis, extremamente afetado, e com uma voz bizarra. E ainda por cima entra em cena em cima de um carro alegórico digno do carnaval carioca. Estar nesse tipo de filme deve fazer muito bem a carreira de Santoro, mas o cara não dá mesmo sorte com os papéis.

O filme trata basicamente de uma cambada de machões sarados indo descer o pau nos orientais afetados e/ou grotescos, que do jeito que são mostrados, são muito estúpidos e muito fáceis de se derrotar. Ou seja, não há tensão, e os tais espartanos, que como diz o título são trezentos, mas só vemos em cada quadro no máximo uns quarenta, chutam, empalam e cortam na maior facilidade, colocando exército de milhares no chão em questão de segundos.

Isso prova como a direção de Snyder é falha: não dá a dimensão de perigo, as batalhas mostram membros dos combatentes sendo decepados mas a violência é inócua e o ritmo é tão uniforme que o filme chega ao final e você espera por algo a mais. Não há clímax aqui, e eu até agora não entendi aquele fim – sem spoilers por favor. Muito mal conduzido.

O que vale a pena então? Pode-se aproveitar o climão fantasioso da coisa toda, e apesar do defeitos, é um épico mais divertido que os Tróias e Alexandres da vida, que se levavam a sério demais. Não me perguntem o que são os monstros que aparecem no filme, ou as diversas cenas chupadas de Gladiador (os campos de trigo e a trilha, praticamente iguais ao filmeco de Ridley Scott). O visual prende bastante a atenção no início, mas depois de certo tempo tudo se torna mais do mesmo, e isso não é um problema exclusivo , já que acontece também nos semelhantes Sin City e Capitão Sky e o Mundo do Amanhã.

Longe de ser bom, também não é uma bomba, vale o preço do ingresso, nem que seja pela curiosidade quanto ao visual, a história ou a Rodrigo Santoro pagando mais um mico.Melhor sorte para ele na próxima vez.